Mais de 120 mortos e quase cem mil de deslocados pelas cheias em Moçambique
A época das chuvas é habitual em janeiro e os moçambicanos sabem disso, mas as cheias violentas, causadas por um agravamento das tempestades deixaram mais estragos do que é habitual.
No sábado, contavam-se pelo menos 124 mortos e é de esperar que o número de vítimas venha a aumentar, especialmente nas regiões mais isoladas.
O Executivo moçambicano garantiu, aos media nacionais, que vai enfrentar os problemas nas províncias de Gaza e de Maputo (sul), onde, para além de milhares de desalojados, existe o desafio da destruição infraestruturas, de estradas a pontes, escolas e unidades de saúde.
Dificuldades na distribuição de bens de primeira necessidade
A CNN Portugal entrevistou, este fim-de-semana, Cládio de Sandra Julaia, Especialista em Emergências da UNICEF, a agência das Nações Unidas para a defesa e promoção dos direitos das crianças.
Julaia encontra-se no terreno, na Província de Gaza, sul do país, e fronteiriça com a África do Sul com o Zimbabué, também afetados pelas cheias.
Disse à CNN Portugal que a UNICEF contabiliza 640 mil afetados, dos quais 95 são deslocados. Mais de 72 mil casas ficaram destruídas.
"Esta situação é anormal, comparando com as outras épocas chuvosas. E, associada à vulnerabilidade das infraestruturas como estradas e outro tipo de infraestruturas, está a fazer com que o dano seja maior e avultado."
E os primeiros a pagar pela catástrofe no sul de Moçambique são as crianças. A UNICEF diz que há umas 400 mil afetadas num país com uma população muito jovem. Por isso, a ajuda humanitária é urgente, embora o isolamento de algumas populações rurais faça com que seja difícil a distribuição.
Julaia diz que "o acesso a água potável e saneamento, abrigo, assistência alimentar" e a "assistência médica e medicamentosa," assim como "vário aspetos de proteção da criança" são desafios estes dias.
"Principalmente nos campos e nos centros de acomodação, onde está a população deslocada.", acrescenta.
Os Distritos de Chokwé, Chibuto e Xai-Xai são os mais afetados.