Mais de 120 mortos e quase cem mil de deslocados pelas cheias em Moçambique

24 jan, 17:00

A época das chuvas é habitual em janeiro e os moçambicanos sabem disso, mas as cheias violentas, causadas por um agravamento das tempestades deixaram mais estragos do que é habitual.

No sábado, contavam-se pelo menos 124 mortos e é de esperar que o número de vítimas venha a aumentar, especialmente nas regiões mais isoladas.

O Executivo moçambicano garantiu, aos media nacionais, que vai enfrentar os problemas nas províncias de Gaza e de Maputo (sul), onde, para além de milhares de desalojados, existe o desafio da destruição infraestruturas, de estradas a pontes, escolas e unidades de saúde.

Dificuldades na distribuição de bens de primeira necessidade

A CNN Portugal entrevistou, este fim-de-semana, Cládio de Sandra Julaia, Especialista em Emergências da UNICEF,  a agência das Nações Unidas para a defesa e promoção dos direitos das crianças.

Julaia encontra-se no terreno, na Província de Gaza, sul do país, e fronteiriça com a África do Sul com o Zimbabué, também afetados pelas cheias.

Disse à CNN Portugal que a UNICEF contabiliza 640 mil afetados, dos quais 95 são deslocados. Mais de 72 mil casas ficaram destruídas.

"Esta situação é anormal, comparando com as outras épocas chuvosas. E, associada à vulnerabilidade das infraestruturas como estradas e outro tipo de  infraestruturas,  está a fazer com que o dano seja maior e avultado."

E os primeiros a pagar pela catástrofe no sul de Moçambique são as crianças. A UNICEF diz que há umas 400 mil afetadas num país com uma população muito jovem. Por isso, a ajuda humanitária é urgente, embora o isolamento de algumas populações rurais faça com que seja difícil a distribuição.

Julaia diz que  "o acesso a água potável e saneamento, abrigo, assistência alimentar" e a "assistência médica e medicamentosa," assim como "vário aspetos de proteção da criança" são desafios estes dias.

"Principalmente nos campos e nos centros de acomodação, onde está a população deslocada.", acrescenta.

Os Distritos de Chokwé, Chibuto e Xai-Xai são os mais afetados.

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