Javier Cercas: "Não há nada menos normal no mundo do que a Igreja Católica. É a coisa mais estranha do mundo"
Javier Cercas tinha uma inquietação: "O que se passa com a religião? O que fazemos com a religião agora que vivemos num mundo sem Deus, para usar a frase de [Friedrich] Nietzsche? Vivemos num mundo sem Deus, embora continue a haver muitos crentes. Mas o que podemos fazer com isso?"
É esta inquietação que está por detrás do livro "O Louco de Deus no Fim do Mundo", que "não é um livro sobre o Papa, é sobre a Igreja Católica".
Aquela "era uma pergunta que eu tinha e, de repente, por um milagre, o Vaticano abriu-me as suas portas de par em par. Foi em maio de 2023. A Igreja Católica nunca tinha aberto as portas a um escritor, e muito menos a um escritor como eu, ateu e anticlerical — tal como o Papa Francisco, que era anticlerical, não ateu. Às vezes pergunto-me: como é possível que um escritor como eu aceite escrever um livro assim? A minha resposta é outra pergunta: como é que não vou aceitar escrever um livro assim?"
"No dia em que me fizeram essa proposta, em Turim, nessa mesma noite pensei na minha mãe. A minha mãe era uma pessoa profundamente crente, seriamente católica. A certa altura do livro diz-se que, se compararmos a fé da minha mãe com a do Papa Francisco, a do Papa Francisco era um tanto ou quanto hesitante."
Grande entrevista a Javier Cercas, para ver nop vídeo na íntegra ou ler transcrita aqui.