Governo angolano confirma 22 mortos. Mas podem ser muitos mais

31 jul, 00:08

No terceiro dia da greve dos taxistas em Luanda, o governo de Angola confirmou 22 mortos e quase 200 feridos em três dias de confrontos violentos entre a população e a Polícia Nacional. Manuel Homem, o ministro do Interior de Angola, confirmou ainda que 1200 pessoas tinham sido detidas. O ministro pediu ainda à população que confiasse nas instituições, do executivo à polícia, e garantiu que a situação era estável.

Mas dezenas de imagens partilhadas pelos angolanos nas redes sociais aparentam mostrar um cenário diferente desde que começou a greve dos taxistas e quarta-feira não foi exceção. As imagens deixam adivinhar que o número de mortos possa ser bastante superior, até porque, como escreve o Novo Jornal, editado em Luanda, a população acusou agentes da polícia de disparar sobre as pessoas de forma indiscriminada.

Num dos vídeos, amplamente partilhado na rede TikTok e via WhatsApp, surge uma mulher, que parece fugir da polícia com o filho. É atingida por disparos e acaba por cair no chão. O mesmo vídeo mostra depois o corpo ensanguentado e uma criança ao lado a chamar por ela, a mesma com quem corria numa estrada de terra batida.

O vídeo parece ter sido feito na região de Luanda e vários intervenientes falam português, apontando também para outro corpo estendido no chão. O conteúdo, que não foi verificado de forma independente, está a ser partilhado também na rede social X - antigo Twitter - como exemplo da repressão policial dos protestos destes dias em Angola.

Noutro vídeo, um homem que filma um Toyota todo-o-terreno preto, com o símbolo da Polícia de Intervenção Rápida na porta do condutor, é alvo de disparos, praticamente à queima-roupa, mostrando depois como ficou ferido no pescoço. O homem repete várias vezes a expressão "Meu Deus," à medida que se dá conta da quantidade de sangue, sentando-se no chão.

A repressão da Polícia Nacional tem sido denunciada por ativistas e cidadãos angolanos desde segunda-feira. Grande parte da imprensa e dos meios de comunicação estatais, como a Televisão Pública de Angola, consultados pela CNN Portugal no final de noite de quarta-feira, não fazem menção aos protestos.

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