Explicador: O que quer Trump das Américas ?
Depois da invasão da Venezuela e do rapto do casal presidencial em Caracas, Trump sugeriu que várias regiões poderiam vir a enfrentar uma intervenção dos Estados Unidos. O presidente referiu-se à Colômbia como um país produtor de cocaína e que "mata jovens americanos", tendo até responsabilizado o presidente Gustavo Petro de coordenar o narcotráfico.
A retórica frente ao líder colombiano indica como Trump tem interesses estratégicos no país. Em primeiro lugar, porque quer um líder mais próximo de Washington ao lado da Venezuela. E, em segundo lugar, porque lhe interessam as riquezas naturais do país andino. Para Trump, a Colômbia é um pilar regional não negligenciável.
No caso de Cuba, Donald Trump fala numa necessidade de proteger os direitos humanos e a liberdade de expressão. A Administração rejeita também o apoio que Havana tem prestado à Venezuela chavista. Além disso, os republicanos querem mobilizar, como sempre fizeram, o eleitorado cubano-americano, muito importante em algumas partes dos EUA, mas em nenhuma como na região metropolitana de Miami, sul da Flórida.
Ao México, Trump aponta o facto de permitir uma migração em situação ilegal de forma permanente para os Estados Unidos. Diz ainda que o Governo federal não faz o suficiente para parar os cartéis de droga, o que a presidente Cláudia Sheinbaum rejeita. A Administração Trump quer reequilibrar o que vê como relações comerciais injustas e Trump aproveita também para beneficiar eleitoralmente de um discurso político contra a migração. O caso mexicano é um problema único doméstico-externo, ou seja, que o Presidente usa para culpar de todos os males dos EUA.
Trump diz ainda que está interessado em comprar a Groenlândia à Dinamarca. Diz que os Estados Unidos precisam de se proteger das influências russa e chinesa. Mas, neste caso, não esconde que tem interesse nos recursos naturais do território autónomo da Dinamarca. E quer controlar novas rotas marítimas. Para alguns analistas, o interesse de Donald Trump pela Gronelândia está ligado ao futuro político, energético e militar dos Estados Unidos.