Explicador: O que está em causa na guerra do Sudão?
A guerra civil no Sudão entende-se com a queda daquele que durante mais anos liderou o país africano, desde a sua independência, em 1956. Omar al-Bachir chegou ao poder graças a um golpe de Estado em 1989. E, 30 anos depois, era deposto por um golpe militar.
O golpe de 2019 deu origem a um Governo de união civil e militar, mas que foi sol de pouca dura. Dois anos depois, em 2021, os generais al-Burhan e Dagalo uniram forças para alçar-se com o poder, mas depressa as tensões entre ambos serviram para o início de uma nova guerra civil. Em abril de 2023, começavam os primeiros confrontos em Cartum, numa capital destinada a ser testemunha de um país que se ia dividindo ao meio, ao longo dos combates.
Um dos grandes elementos de discórdia entre ambos generais era a integração de uns 100 mil homens, os paramilitares das chamadas Forças de Apoio Rápido ou RSF, na sigla em inglês, no Exército Nacional do Sudão. A posições de ambos generais, inconciliáveis, contribuíram para o agravamento das tensões e para o início do conflito.
Os paramilitares das Forças de Apoio Rápido têm origem nas milícias Janjaweed, que ficaram conhecidas no conflito do Darfur e que foram acusadas pelas Nações Unidas de genocídio e de limpeza étnica das populações tribais e não árabes. O objetivo dos Janjaweed e agora das RSF poderia ser, denunciam alguns analistas, a transformação intencional da composição étnica dos estados do Darfur.
Os Emirados Árabes Unidos foram acusados de financiarem os paramilitares das RSF, a troco da compra do ouro, cujas minas são controladas pelos rebeldes em boa parte do território sudanês.
Desde o início do conflito, já morreram pelo menos 150 mil pessoas, enquanto a ONU denuncia a existência de uns 12 mil deslocados - números que alguns agentes no terreno dizem ser conservadores.