Exército de Israel admite que números dos mortos em Gaza são reais
A informação foi publicada pelo diário de referência israelita Haaretz e replicada pelos media do mundo inteiro. O diário conta que, de acordo com fontes militares que preferiram permanecer no anonimato, o exército de Israel concorda com os números de mortos avançados pelas autoridades de saúde na Faixa de Gaza, cuja estrutura é gerida pelos islamistas do Hamas. Até ao fim de janeiro deste ano, o Hamas fala em mais de 71 mil mortos, a maioria dos quais mulheres e crianças, num dado que não contempla os palestinianos mortos por outras razões que os bombardeamentos indiscriminados do exército de Israel - como fome, doenças crónicas ou a subnutrição.
Os números, aceites pelas organizações do sistema das Nações Unidas e por grande parte das organizações internacionais especializadas na defesa dos Direitos Humanos, têm sido replicados pelas grandes agências de imprensa e canais de televisão internacionais, embora alguns meios de comunicação tenham ressalvado, desde o início dos ataques de Israel sobre a Faixa de Gaza, que os números divulgados eram de uma estrutura de saúde "gerida pelo Hamas."
The Lancet: os números são conservadores
O mesmo artigo do Haaretz refere que até 90% dos corpos de palestinianos mortos pelo exército de Israel em Gaza estão identificados, com nome, género e um número, como tem acontecido noutros confrontos entre o Hamas, que governa o território palestiniano, e o exército de Israel.
Mas os números, que foram alvo de uma investigação por instituições como a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (Universidade de Londres) ou a Universidade de Yale, nos Estados Unidos, podem ser bastante conservadores.
O resultado do estudo foi um artigo, publicado na revista científica de medicina The Lancet, que conclui que os números podem ser superiores em 40%, tendo em conta que há milhares de pessoas desaparecidas entre os escombros.
O mesmo estudo refere que, como dizem as autoridades de Saúde em Gaza, a maioria das vítimas trata-se de mulheres e crianças ou pessoas com mais de 65 anos - ou seja, 59%. O relatório foi noticiado no Guardian a 5 de janeiro.
Ainda assim, o exército de Israel quer entender quantos militantes terão sido mortos nestes anos de guerra. No entanto, Telavive nunca forneceu qualquer alternativa relativamente aos mortos em Gaza, depois dos massacres de 7 de outubro de 2023, levados a cabo pelo braço armado do Hamas, as Brigadas de al-Qassem, em conjunto com outros movimentos armados.