"O mundo sem nós": os locais abandonados que foram invadidos pela Natureza

CNN , Tamara Hardingham-Gill
16 jan, 17:00
Reivindicação da Natureza: antigo castelo na Valónia, Bélgica. Foto: Romain Veillon

O mais recente livro do fotógrafo francês Romain Veillon, "Green Urbex: The World Without Us" tem imagens fabulosas de vários locais abandonados que foram invadidos pela natureza

A ideia de como o mundo seria se os humanos desaparecessem foi amplamente explorada por cientistas, e também em muitos filmes pós-apocalípticos. No entanto, o fotógrafo francês Romain Veillon adotou como missão captar em imagens o potencial resultado de um planeta sem pessoas.

O fotógrafo de 38 anos passou anos a fotografar locais abandonados por todo o mundo que foram invadidos pela natureza, com belíssimos resultados.

No seu mais recente livro, “Green Urbex: The World Without Us”, Veillon fotografou uma série de locais abandonados e/ou esquecidos, incluindo uma cidade fantasma na Namíbia, um cinema abandonado em Bruxelas, uma vivenda dilapidada toscana e um caminho de ferro descontinuado na Ucrânia.

“Visão após-apocalítica”

Ele espera que as imagens fantasmagóricas sirvam como lembrete da “necessidade de viver em harmonia com o nosso habitat”, bem como salientar a importância de trabalhar com a natureza em vez de trabalhar contra ela.

“Estamos todos fascinados com a visão pós-apocalíptica”, declara ele. “Talvez precisemos de ser testemunhas disso para desfrutar do que temos e do tempo à nossa frente.”

O livro, que está apenas disponível em francês por enquanto, está dividido em três secções. A primeira exibe locais desertos que continuam relativamente bem preservados e a segunda centra-se em locais muito mais dilapidados em muito pior estado de conservação.

Finalmente, a terceira secção é composta por imagens de locais há muito esquecidos que foram completamente invadidos pela vegetação.

“As fotografias foram tiradas durante os últimos dez anos”, diz Veillon à CNN via email. “É realmente uma mistura de locais que tenho estado a documentar desde que comecei.”

Fascínio duradouro

O fascínio dele por locais abandonados começou muito cedo, quando descobriu uma fábrica de camiões abandonada perto de Paris.

Apesar de o livro, que contém mais de 200 imagens, fornecer uma resenha histórica de vários locais, o fotógrafo tenta oferecer o mínimo possível para que as pessoas possam “criar as suas próprias repostas” a quaisquer questões que possam ter.

“Cada história é diferente da seguinte, e é isso que adoro”, acrescenta.

No entanto, captar locais desertos em tantas e às vezes tão remotas regiões do mundo é muito mais complicado do que pegar numa máquina fotográfica e ir para a estrada.

Às vezes, Veillon passa meses a investigar locais menos conhecidos e a pesquisar com precisão a localização, já para não falar da autorização para fotografar alguns deles.

“Passo horas a pesquisar pistas históricas que possam ajudar-me a localizar o sítio que quero fotografar”, explica.

Locais extraordinários

O Château de la Mothe-Chandeniers, um castelo francês abandonado do século XIII. Foto: Romain Veillon

“Passa-se imenso tempo no Google Maps a tentar ver se alguns edifícios podem estar enterrados sob a vegetação. E andar de carro quando se está numa zona desconhecida também pode trazer agradáveis surpresas.”

Ter amigos por todo o mundo também se revelou útil ao fotógrafo, que muitas vezes recebe dicas de viajantes e também dos seus seguidores nas redes sociais sobre potenciais locais para incluir no seu trabalho.

Um dos destaques do livro é uma imagem de Buzludzha, um monumento soviético abandonado na Bulgária, que Veillon diz ter sido um dos seu locais preferidos para fotografar.

“Buzludzha é certamente o local mais extraordinário e único onde estive”, diz da sede do antigo Partido Comunista da Bulgária construída no topo de uma montanha.

“Do exterior, parece um OVNI, e no interior encontramos mosaicos lindíssimos.”

O antigo Casino Constanța da Roménia, que foi considerado monumento histórico pelo Ministério da Cultura romeno e Património Nacional, também deixou uma forte impressão.

Reivindicação da Natureza

O fotógrafo conseguiu visitar o abandonado parque temático Nara Dreamland no Japão antes de ser demolido. Foto: Romain Veillon

“Fiquei muito surpreendido por ver os restos do palco do velho casino, os maravilhosos candelabros da escadaria principal”, admite.

As imagens assombradas de Veillon do parque de diversões japonês Nara Dreamland, tiradas ao longo de uma década depois de o parque ter encerrado em 2006, atraíram maior atenção.

“É um exemplo perfeito do que quero mostrar quando digo que «a natureza está a assumir o comando»”, diz ele. “Pode ver-se a hera a cobrir lentamente a montanha-russa, como se estivesse a ser engolida. O parque foi desmantelado entre 2016 e 2017, não muito depois da minha visita, por isso torna a fotografia ainda mais emblemática, penso eu.”

Apesar das restrições às viagens devido à pandemia terem como consequência menos e mais espaçadas viagens de Veillon, ele espera visitar a cidade fantasma de Akarmara, uma antiga aldeia mineira na Abecásia, Geórgia, que foi invadida por árvores no futuro próximo.

“Akarmara é uma das viagens que devia ter feito há muito tempo”, diz ele.

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