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Não conseguia pagar a vida que queria para o filho nos EUA. Mudar-se para a Alemanha mudou o futuro dos dois

CNN , Tamara Hardingham-Gill
6 jun, 11:00
mudar de vida
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Molly Williams, norte-americana e mãe solteira, decidiu mudar-se para a Alemanha com o filho de oito anos depois de perceber que, nos Estados Unidos, não conseguiria proporcionar-lhe a vida que queria. Apesar das dificuldades iniciais encontrou no país uma rede de apoio, maior estabilidade e um ritmo de vida mais equilibrado.

A viver a uma curta distância a pé das montanhas da Baviera, Molly Williams nunca perde uma oportunidade de fazer caminhadas.

Já percorreu trilhos por todas as paisagens alpinas em redor da sua casa no sul da Alemanha, na bonita região de Allgäu, perto de Munique, bem como os trilhos das Dolomitas, no nordeste de Itália.

Hoje, sente-se em casa neste canto do mundo. Mas, há 15 anos, nunca lá tinha estado e tudo aquilo lhe era desconhecido. Tinha crescido no Michigan e vivia em Portland, no Oregon.

Isso não a impediu de dar o salto e mudar-se para lá com o filho, que na altura tinha oito anos.

“Quando olho para trás, acho que devo ter sido louca por dar esse salto”, diz Williams à CNN. “Mas acabou realmente por se revelar uma das melhores decisões da minha vida.”

Agora sente uma calma que nunca tinha sentido enquanto vivia nos EUA. Está casada com um alemão e o filho, agora na casa dos 20 anos, está a prosperar. Williams trabalha para uma empresa industrial global.

“Sinto que há muito ruído nos Estados Unidos”, diz. “E aqui as coisas parecem mais reais e mais assentes.”

Mas a mudança não foi um sucesso imediato. Williams teve dificuldades em adaptar-se nos primeiros tempos, mas agora sente que está no lugar certo.

“Gosto de estar aqui”, diz. “Gosto do ritmo, e para mim, isto cheira a casa.”

‘A melhor decisão’

Molly Williams com o filho na cerimónia de conclusão do ensino secundário dele. (Molly Williams)

A decisão aparentemente repentina de se mudar para a Europa foi, na verdade, preparada ao longo de muitos anos. Passou os primeiros anos de vida na Alemanha, depois de ter nascido lá quando o pai, militar dos EUA, estava destacado no país e a mãe dava aulas. A família regressou aos Estados Unidos quando ela tinha cerca de três anos.

“Em muitos aspetos, a Alemanha foi tanto o início como o segundo capítulo da minha vida, primeiro como filha de americanos no estrangeiro e, mais tarde, como americana a reconstruir uma vida fora do país com o meu próprio filho”, diz Williams.

Originalmente, parecia encaminhada para passar a vida nos Estados Unidos, depois de ter ido para a universidade, construído uma carreira de sucesso e formado família.

Mais tarde, divorciada e a criar o filho sozinha, Williams diz que rapidamente percebeu que não conseguiria proporcionar-lhe o tipo de vida que queria, por isso começou a procurar oportunidades fora dos EUA.

“Era uma profissional com um rendimento médio nos Estados Unidos”, diz. “E sinto que, mesmo assim, não conseguia fazer as coisas resultar como queria.”

Exausta pela pressão de ter de conciliar trabalho, cuidados com o filho, cuidados de saúde e finanças, sentia-se sem apoio enquanto mãe solteira.

“Não me sentia em casa nos EUA”, diz. “Não sentia que houvesse a infraestrutura necessária para me apoiar a ser o tipo de mãe que queria ser.”

Ao pesquisar possíveis destinos para se mudar, gostou das políticas de férias mínimas da Alemanha e ficou intrigada com o sistema educativo do país - sobretudo pela importância dada à natureza e ao ar livre, bem como pela sua reputação na engenharia e na tecnologia.

Sentiu que mudar-se para o país poderia ser uma grande oportunidade para o filho se tornar fluente em várias línguas.

Acima de tudo, esperava que a Alemanha lhe pudesse oferecer o tipo de estilo de vida que desejava.

Sentindo-se encorajada, Williams telefonou para uma empresa sediada na Alemanha para perguntar sobre possíveis oportunidades e foi-lhe oferecido um cargo.

Rede de apoio

Williams deixou os EUA em 2012 com seis malas para começar uma nova vida em Munique. (Molly Williams)

“Disseram: ‘Bem, na verdade gostaríamos de a transferir para Munique.’ E eu agarrei essa oportunidade... três meses depois, estava a mudar-me para cá.”

Williams chegou a Munique em 2012 com seis malas, uma delas cheia com quase 18 quilos de peças de Lego, e acabou por se mudar para um apartamento em Glockenbachviertel, um bairro vibrante de Munique.

O custo da mudança rondou os 15 mil euros, o equivalente a cerca de 17.451 dólares.

Embora Williams se tenha sentido imediatamente acolhida pela comunidade local, descreve os primeiros seis meses no país como “desafiantes” e, por vezes, “solitários”. Diz que não antecipou quão difícil seria recomeçar sozinha num país estrangeiro.

Alguns aspetos da vida na Alemanha tornaram a adaptação mais difícil. Demorou algum tempo a habituar-se à burocracia alemã e aprendeu da pior forma que os imóveis arrendados no país exigem muitas vezes que os inquilinos instalem os próprios candeeiros - e, por vezes, até as cozinhas.

Embora Williams tivesse assumido que o filho poderia frequentar uma escola local sem ser falante nativo, acabou por perceber que não era esse o caso. Mas ele acabou por ser aceite num programa e ela ficou entusiasmada quando ele rapidamente criou laços com colegas que também não eram falantes nativos.

Ver o filho passar pelo sistema educativo alemão acabou por ser extremamente útil para Williams, que assim conseguiu desenvolver uma compreensão mais profunda dos alemães.

“Estes são os modelos de comunicação e de trabalho que me deram a oportunidade de compreender os meus colegas e os adultos com quem interagia”, acrescenta.

O apoio à infância revelou-se um dos maiores desafios para Williams durante os primeiros anos na Alemanha, com dias de escola mais curtos do que nos Estados Unidos e opções mais limitadas depois das aulas.

“Conciliar o trabalho com a parentalidade enquanto mãe solteira foi muitas vezes esmagador”, diz. “Com o tempo, porém, encontrámos um ritmo e conseguimos fazer as coisas funcionar.”

Acabaram por se mudar para Dachau, conhecida por ser o local do campo de concentração de Dachau, construído pelos nazis, situada nos arredores de Munique. Uma pitoresca cidade bávara, oferecia a Williams mais recursos enquanto mãe solteira do que Glockenbachviertel, um bairro mais virado para um estilo hipster.

“Encontrei pessoas um pouco mais abertas comigo”, explica. “Por isso, se eu não falasse alemão na perfeição, as pessoas eram tolerantes em relação a isso.”

Williams recorda-se de lhe terem dito, logo no início, que, se conseguisse sobreviver aos primeiros três anos na Alemanha, seria capaz de construir uma vida ali. E, diz, isso acabou por se revelar verdade.

Criar ligações

Molly Williams conheceu o seu atual marido numa aula de spinning há cerca de oito anos. Casaram-se em 2023. (Cortesia de Molly Williams)

“Foi preciso tempo para criar amizades e sentir-me integrada”, diz. Os alemães, observou, tendem a ser mais reservados, uma situação que a fez ter saudades da facilidade com que se fazem amigos nos EUA. “Essa é a parte mais difícil.”

Embora Williams tenha chegado inicialmente à Alemanha com um visto temporário que permite a profissionais qualificados permanecer e trabalhar no país até quatro anos, conseguiu fazer a transição para residência permanente. Agora tem dupla nacionalidade.

“Depois de passar tantos anos a construir uma vida aqui, queria participar plenamente no país a que agora chamo casa”, diz.

Williams sente-se grata por ter tido a possibilidade de levar o filho de férias a diferentes países europeus enquanto ele crescia. Para seu grande orgulho, ele estuda agora na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

“Ele saiu-se muito bem”, diz. “Acho que esta experiência internacional ajudou realmente a moldar a sua mentalidade e a sua visão do mundo.”

Outro benefício da vida na Alemanha foi não ter de se preocupar com os custos dos cuidados de saúde - a Alemanha funciona com um modelo de seguro obrigatório e cofinanciado.

“Acho que muitas pessoas pensam que os cuidados de saúde alemães são gratuitos”, diz. “Não são, mas dão-nos uma base sólida e segurança.”

Há cerca de oito anos, Williams conheceu o marido numa aula de spinning. Casaram-se em 2023. Casar na Alemanha revelou-se mais difícil do que comprar casa, devido à burocracia, diz. As leis sucessórias também se revelaram muito diferentes - ao abrigo da lei alemã, o património de uma pessoa falecida passa diretamente para o herdeiro ou herdeiros.

Embora já falasse algum alemão quando se mudou para o país, Williams ainda não é fluente e admite que o marido fala melhor a sua língua materna do que ela fala a dele, por isso, normalmente falam em inglês.

O casal mudou-se para a região montanhosa de Allgäu há pouco mais de três anos. Williams diz que se tinha cansado da vida na cidade e que a sua nova localização rural está mais próxima da versão da Alemanha que imaginava antes de se mudar.

Hoje, Williams agradece ter dado aquele salto de fé há tantos anos e sente que a decisão de se mudar para a Alemanha foi a melhor coisa tanto para ela como para o filho.

“Enquanto mãe solteira, não teria conseguido pagar a universidade sozinha”, diz. “E, honestamente, acho que ele não teria tido algumas das oportunidades que teve, simplesmente por causa das limitações que eu teria enfrentado.”

Não se imagina a regressar aos EUA num futuro próximo, mas volta duas vezes por ano para visitar família e amigos e não exclui completamente essa possibilidade, sublinhando que está sempre aberta a “novas aventuras”.

No entanto, Williams adora a sua vida na Alemanha e sente que está onde deve estar - pelo menos por agora.

“Na Alemanha, descobri um ritmo de vida diferente”, diz Williams. “As pessoas protegem mais o seu tempo pessoal, as férias são verdadeiramente férias e há menos pressão para estar sempre ‘ligada’...”

“Sinto-me mais presente, mais assente e mais ligada às pessoas à minha volta e à vida quotidiana.”

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