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Os aviões a jato passam a rugir por cima das cabeças dos turistas nesta praia das Caraíbas

CNN , Joshua Korber Hoffman
19 abr, 12:00
O aeroporto Princess Juliana Airport fica em Sint Maarten, no lado holandês da ilha. Tal significa visitas regulares dos aviões da KLM (Shutterstock)

A ilha de Saint Martin é conhecida pelas suas belas praias. Uma delas oferece a oportunidade de ver aviões. O aeroporto Princess Juliana Airport fica em Sint Maarten, no lado holandês da ilha. Tal significa visitas regulares dos aviões da KLM

Os turistas estão sentados na praia. Ao mesmo tempo, um Boeing 787 Dreamliner mergulha para conseguir aterrar. Está a menos de 30 metros acima das suas cabeças. Com as mãos no ar, posam para as fotofrafias. Mais tarde, há quem vá questioná-los se os registos são reais.

A Praia de Maho, na ilha de Saint Martin [São Martinho], no nordeste deste território das Caraíbas, é um paraíso para os aficionados da aviação – e para qualquer aventureiro, no geral. Devido à sua pequena dimensão e à sua geografia singular, a pista de aterragem do aeroporto internacional Princess Juliana está separada da praia por uma única estrada. Na época alta, podem ter lugar entre 50 a 70 aterragens por dia - quase ao alcance das mãos.

"É assustador", diz Franklin Wilson, que trabalha no departamento de operações do aeroporto. "Parece que o avião vem direto na nossa direção”.

O sonho de qualquer aficionado da aviação

Saint Martin oferece uma mistura de culturas e gastronomias. Além disso, é uma conveniente base para os turistas que desejam explorar as ilhas vizinhas. Contudo, para muitos estrangeiros, a maior atração da ilha é o voo em si.

Saint Martin, conhecida como “A Ilha Amigável”, é o principal centro de transportes do nordeste das Caraíbas. Os seus 93 quilómetros quadrados estão divididos em duas partes. A parte norte, que é a maior, é governada por França e conhecida como Saint-Martin. Já a parte sul, mais populosa, pertence aos Países Baixos, que lhe chamam Sint Maarten. Existem dois aeroportos, um francês e um holandês. Contudo, a maioria dos aviões aterra no aeroporto internacional Princesa Juliana, do lado holandês. Com o código IATA SXM, o aeroporto recebe mais de um milhão de viajantes por ano. Os voos vêm diretos de França, dos Países Baixos e de vários destinos dos Estados Unidos.

“É emocionante”, diz May-Ling Chun, diretora de turismo de Sint Maarten. “Ficamos a pensar: onde é que vou aterrar? As pessoas apertam os braços das cadeiras enquanto olham pela janela”, descreve.

O aeroporto funciona há mais de 80 anos. Foi inaugurado originalmente como pista de aterragem militar em 1942. Há muito que é uma atração para os entusiastas da aviação de todo o mundo. Tornou-se um ponto de encontro para influenciadores e criadores de conteúdos nesta era do Instagram.

“Está na lista de desejos de muitas pessoas”, diz Irving Maduro, que trabalha com Wilson no departamento de operações do aeroporto e que também é fotógrafo freelancer. “Recebo muitas mensagens de influenciadores a querer que lhes tire fotografias lá”, mostra.

Um espetáculo para a multidão

 

Para os pilotos, trata-se de uma aproximação emocionante. Deslizam junto à faixa de areia antes de atingir a pista (Hugh Mitton/Alamy Stock Photo)

Para muitos pilotos, aterrar no SXM é um sonho tornado realidade.

“Adoram a vista”, diz Maduro. “Adoram ver as pessoas na praia lá em baixo”.

O desafio de aterrar tão perto das pessoas que estão lá em baixo — bem como da vedação que separa a estrada pública da pista de aterragem — só se compara ao aeroporto internacional de Skiathos, na Grécia. É algo que pode despertar o lado competitivo dos pilotos.

“Há alguns pilotos para quem é uma espécie de competição [ver o quão baixo conseguem aterrar]”, diz Wilson, que também trabalha como fotógrafo freelancer. “Em algumas das minhas fotografias, podemos ver aviões que estão, literalmente, a poucos metros da vedação”.

Mesmo que a segurança esteja sempre em primeiro lugar, há um elemento de espetáculo para a multidão dentro e fora do avião.

“Há pilotos que começam a aterragem mais alto e outros que fazem questão de dar espetáculo”, diz Maduro.

Quanto mais baixa for a aproximação, mais rápida será a aterragem.

“Quando se vê o avião a sobrevoar o oceano, sabe-se que quer chegar a dar tudo”, diz Wilson. “É preciso chegar a alta velocidade para manter esta altitude. Já vi turistas assustados, a pensar que o avião ia diretamente para cima deles”.

Para quem percebe do assunto, existe uma aeronave que aterra de uma forma mais espetacular do que as outras.

“Fico sempre entusiasmado, corro para o aeroporto quando sei que este avião brasileiro está a chegar”, diz Wilson. “Fazem sempre uma aproximação baixa, junto aos banhistas. Dão sempre algo, deixam-nos a esperar com ansiedade”. O jato privado chega religiosamente todos os natais, afirma.

Já houve feridos entre os espectadores. Apesar dos avisos claros para não ficarem na parte de atrás dos aviões durante a descolagem, há muitos turistas que o fazem, por quererem sentir a rajada de ar dos motores. A rajada é tão forte que, na praia, pode fazer com que as pessoas sejam lançadas para o mar. Os mais imprudentes tentam agarrar-se à vedação, aproximando-se o mais possível dos aviões. É algo que pode ser fatal. Em 2017, um turista neozelandês de 57 anos morreu, depois de ter sido derrubado da vedação pela rajada de um Boeing 737 a descolar.

“Há muita gente que vai lá só para ver esse momento”, diz Maduro. “É vê-los pendurados na vedação ou parados mesmo atrás da aeronave. É algo que eu não faço. Sei o quão perigoso pode ser, quantas toneladas de impulso saem dos motores”.

Uma história de resiliência

 

Para os turistas, uma visita à “ilha do aeroporto” é algo obrigatório (Yibo Wang/Alamy Stock Photo)

Quando o furacão Irma atingiu a ilha, em 2017, deixou um rasto de destruição.

“O aeroporto foi totalmente destruído. Criou-se o caos”, diz Chun.

Desde então, o aeroporto Princess Juliana foi reconstruído, tornando-se um símbolo da resiliência da ilha. Em 2024, foi reinaugurado oficialmente pela Princesa Beatriz dos Países Baixos.

Foi uma cerimónia apropriada para um aeroporto que é adorado pelos entusiastas da aviação e pelos viajantes. A sua singularidade e a sua história rica fazem dele um aeroporto diferente de qualquer outro no mundo.

“Faço isto há mais de 20 anos”, diz Maduro. “Não há uma aterragem igual a outra”.

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