Empresa garante que tem no Governo um "parceiro de confiança desde 2008"
Já lhe chamaram mercenário dos vistos, talvez porque já lhe passaram pelas mãos os dados pessoais de milhões de cidadãos de todo o mundo. Operacoes em 153 países e contratos com 69 governos, incluindo o português.
Chama-se VFS Global e é o primeiro interlocutor entre os imigrantes e os países a quem presta o serviço de recolher e preencher toda a documentação necessária para a obtenção de um visto.
“Os meus documentos em Cabo Verde foram tratados lá”, explica à CNN Portugal Diara Ferreira, imigrante que conseguiu chegar a Portugal.
Nos últimos anos, fruto do aumento de pedidos, muitos países optaram por passar para empresas privadas tarefas que eram dos consulados e das embaixadas. Uma opção que está prevista no artigo 43.º do Código de Vistos da União Europeia.
É aquilo a que Irene Alesh, também ela imigrante em Portugal, onde chegou vinda dos Estados Unidos, chama de “outsourcing”, que “agora é um modo de vida”. “Eles são apenas uma agência, servem pessoas que vão para qualquer país”, acrescenta.
Portugal fez uso dessa mesma opção, contratualizando o serviço em 25 países, trabalhando com a VFS Global desde 2010, atualmente quase em exclusivo.
Originária da Índia, esta empresa tem atualmente sede em Zurique, na Suíça, e no Dubai, Emirados Árabes Unidos. A maior parte da empresa é detida pela Blackstone, que se autointitula a maior gestora de ativos do mundo.
Questionado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros disse que esta e outras empresas são “certificadas, todas elas acreditadas pela União Europeia e que são alvo de monitorização permanente”.
A VFS Global confirma os negócios, garantindo que é “um parceiro de confiança do Governo português desde 2008”.
Voltamos a Irene Alesh, que pagou 200 dólares (cerca de 190 euros) para poder viver em Portugal. Esperou cinco meses e nem sabe se o valor foi justo.
“Foi algo estranho e desconcertante. Não havia ninguém para contactar. Não havia ninguém na linha telefónica, que ia sempre para um atendedor de chamadas. Não havia forma de escrever um email. Damos o nosso passaporte e esperamos. Onde está? O que se passa?”, questiona a norte-americana.
Já Diara Ferreira teve sorte, já que foi um professor que tratou dos documentos dos alunos que vieram a Portugal, tal como ela, fazer mestrado.
Pode ver mais sobre esta investigação nos dois vídeos associados ao artigo.