Dois grandes sismos sentidos na Venezuela. Já há mortos confirmados

António Guimarães , atualizado às 04:11
24 jun, 23:21

As primeiras imagens da destruição na Venezuela após grande sismo

As imagens dos danos após dois grandes sismos na Venezuela

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Há já relatos de vários feridos e danos nas estruturas do país

Um forte sismo abalou a Venezuela esta quarta-feira pelas 18:00 locais, quando o relógio batia nas 23:00 em Portugal continental. O sistema geológico dos Estados Unidos, o USGS, dá conta de um abalo de 7,2 na escala de Richter com uma réplica mais forte, de 7,5. Os sismos motivaram um alerta de tsunami para Porto Rico e Ilhas Virgens, territórios norte-americanos. O alerta foi entretanto retirado.

Para já, ainda não há qualquer balanço oficial de vítimas e danos materiais, embora a presidente interina do país já tenha vindo lamentar a existência de mortos, ainda que sem dizer quanto. Nesse mesmo anúncio Delcy Rodríguez aproveitou para declarar estado de emergência.

O ministro da Administração Interna da Venezuela, Diosdado Cabello, confirmou na televisão nacional o desabamento de vários edifícios na capital. O jornal venezuelano El Diario avança, por seu turno, que há "múltiplas pessoas feridas" na cidade de Guatire, no estado de Miranda.

"Percebemos que algumas pessoas podem estar desesperadas, mas estamos a agir de acordo com os protocolos para ativar os esforços de ajuda e resgate para ajudar aqueles que mais precisam”, acrescentou Diosdado Cabello na televisão estatal.

“Tenham muito cuidado com as crianças e os idosos; telefonem uns aos outros e verifiquem se ninguém ficou ferido.”

Já o Ministério da Comunicação e Informação anunciou que o país colocou em ação as forças de segurança para responder a emergências. O comunicado indica que "muitas estruturas correm o risco de ruir", havendo já autorização para cortar o gás a certos edifícios "como medida preventiva", pelo menos até serem avaliados todos os danos.

O sismo foi sentido em vários estados do país, incluindo Yaracuy, Lara, Mérida, Aragua, Carabobo, La Guaira e Miranda, além da da capital, Caracas.

O autarca de Chacao, um município a este de Caracas, foi o primeiro a admitir a existência de vítimas mortais. Em declarações à Globovision, Gustavo Duque admitiu o colapso de dois edifícios, tendo sido retiradas 16 pessoas com vida. Sem avançar números, confirmou apenas que há mortos.

Mais concreto foi o autarca de Baruta, também nos arredores de Caracas, que confirmou a morte de três pessoas. Darwin González admitiu ainda que o número pode não ficar por aí.

Alerta vermelho dos EUA

O USGS afirma que, com base nos dados de sismos anteriores e tendo em conta o tipo de estruturas do país, pode esperar-se um desastre alargado com várias vítimas e danos extensos.

"De um modo geral, a população desta região reside em estruturas vulneráveis ​​aos tremores sísmicos, embora existam construções resistentes. Os tipos de construção vulneráveis ​​predominantes são a alvenaria de tijolo sem reforço e os blocos", pode ler-se no aviso publicado no site do serviço norte-americano.

"Há alerta vermelho para mortes e prejuízos económicos relacionados com o tremor. É provável que haja um grande número de vítimas e danos extensos, e o desastre é provavelmente generalizado. Os alertas vermelhos anteriores exigiram uma resposta nacional ou internacional", acrescenta o mesmo serviço.

O USGS indica ainda que o sismo foi sentido na intensidade IX da escala de Mercalli numa zona onde residem mais de 100 mil pessoas. Trata-se da segunda escala mais grave, e que prevê um abalo "violento". 

A agência Reuters dá conta de que vários cidadãos fugiram dos edifícios em que estavam para evitarem consequências, havendo relatos e imagens que mostram rachas em vários prédios.

Minutos depois do abalo na Venezuela foi registado novo sismo, desta vez no Japão, e com 6,9 na escala de Richter, também segundo o USGS. Apesar da magnitude elevada, não há qualquer alerta de tsunami emitido, avança a agência Kyodo.

O sismo atingiu a prefeitura de Aomori pelas 07:30 locais, quando eram 23:30 em Portugal continental.

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