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Espera-se "um grande número de vítimas": o que já se sabe dos dois grandes sismos que abalaram a Venezuela

CNN , Jessie Yeung, Michael Rios e Taylor Ward
25 jun, 11:31
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Já foi declarado o estado de emergência depois de dois grandes sismos terem atingido o país no dia em que se comemorava o feriado nacional e a independência de Espanha

A costa norte da Venezuela foi atingida por dois fortes sismos com um minuto de diferença ao fim da tarde desta quarta-feira - o maior abalo no país em mais de um século. 

Pelo menos 164 pessoas morreram e 971 ficaram feridas, mas o número total de vítimas e os danos sejam muito maiores. Foi declarado o Estado de Emergência enquanto equipas de primeiros socorros se mobilizam em todo o país, e outros territórios se unem para enviar ajuda.

Isto acontece num momento crítico para a Venezuela, que ainda enfrenta uma profunda crise política e financeira - gerida por um governo interino após a deposição do presidente Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas no início deste ano, e com uma economia debilitada por anos de hiperinflação.

Eis o que sabemos até agora.

O que aconteceu?

Um tremor precursor de magnitude 7,2 ocorreu perto de San Felipe, capital do estado de Yaracuy, pouco depois das 18:00 locais (23:00 em Portugal continental).

Apenas 40 segundos depois, um sismo maior, de magnitude 7,5, atingiu a Venezuela a cerca de 23 quilómetros a sudeste de Yumare - uma cidade também no estado de Yaracuy.

Quarta-feira era feriado nacional, o que significa que muitas pessoas estavam provavelmente em casa ou a participar em eventos públicos.

O sismo foi suficientemente forte para ser sentido em vários estados do país, bem como na vizinha Colômbia, a centenas de quilómetros de distância.

Vários vídeos geolocalizados pela CNN mostram moradores aterrorizados a deixar edifícios com os seus entes queridos e animais de estimação antes de se reunirem nas ruas. Um residente de Caracas que escapou de um edifício danificado disse que "a cena foi como um filme de terror". 

Outra residente de Caracas, Martha Añez, afirmou que não via como sair do seu apartamento e inclinou-se para fora da varanda "a gritar: 'Estamos presos! Precisamos de ajuda! Por favor, que venha alguém!". 

"Não conseguíamos sair; havia marteladas de um lado e pontapés do outro. Não sei quem é que nos salvou, porque estavam a gritar: 'Saiam daí, estamos a chegar e somos cerca de seis!', até que eles finalmente arrombaram a porta", ela contou à CNN. 

Três andares do edifício estão "totalmente destruídos", ela disse. 

Quais são os danos até à data?

Na manhã de quinta-feira, a Presidente interina, Delcy Rodríguez - que assumiu o cargo após a captura de Maduro - disse que pelo menos 164 pessoas morreram e 971 ficaram feridas, um número que deverá aumentar

O anúncio marcou um aumento significativo em relação ao número de vítimas registado durante a noite, indicando a dimensão potencial dos danos que ainda não foram comunicados. 

Dezenas de edifícios desabaram; o estado costeiro de La Guaira foi o mais atingido e foi declarado zona de desastre, disse Rodríguez numa mensagem de vídeo.

"Estamos atualmente empenhados em árduas operações de resgate para salvar o maior número possível de vidas, conforme a vontade de Deus. É realmente uma tragédia", acrescentou.

Vários vídeos geolocalizados pela CNN mostram danos extensos a edifícios e infraestruturas em toda a Venezuela, inclusive na capital, Caracas. Em La Guaira, um grande hotel à beira-mar na cidade de Macuto foi reduzido a escombros, enquanto na cidade de Catia La Mar vídeos mostram vários prédios desabados e edifícios altos gravemente danificados.

O Serviço Geológico dos EUA (USGS) emitiu dois alertas vermelhos distintos por via do seu sistema PAGER para as réplicas, alertando para a probabilidade de um "alto número de vítimas e danos extensos". A maioria das pessoas na região vive em estruturas vulneráveis ​​aos sismos, acrescentou o órgão.

A ligação à internet caiu drasticamente em toda a Venezuela depois de os terramotos terem danificado as infraestruturas de energia e telecomunicações, segundo a organização de monitorização NetBlocks.

Estas perturbações podem dificultar os esforços de resgate e o fluxo de informações provenientes das zonas afetadas nas próximas horas.

Qual é a resposta?

A Venezuela declarou o estado de emergência e criou uma task-force de alto nível para supervisionar as operações de busca e salvamento, disse Rodríguez.

O Aeroporto Simón Bolívar, perto de Caracas, foi temporariamente encerrado após sofrer danos, acrescentou. As aulas serão suspensas em todo o país durante uma semana, e os serviços ferroviários e as atividades não essenciais também foram temporariamente canceladas. Serão realizadas orações a nível nacional às 19:00 locais, afirmou.

As forças de segurança foram mobilizadas em toda a Venezuela, devido ao risco de colapso de "muitas estruturas", segundo o Ministério da Comunicação e Informação. Foi realizado o corte do fornecimento direto de gás a certos edifícios "como medida preventiva", enquanto as autoridades avaliam as estruturas danificadas.

Agentes de resgate estiveram a trabalhar durante a noite para tentar encontrar sobreviventes presos embaixo dos destroços, e equipas internacionais estão à caminho da Venezuela para oferecer auxílio. Rodríguez afirmou que espera a chegada de equipas de resgate dos EUA no início desta quinta-feira, após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter manifestado o seu apoio, adiantou a presidente interina; outras equipas estão a ser enviadas pela República Dominicana, por El Salvador, pelo México e pelo Catar. Outros países ofereceram ajuda humanitária, incluindo China, Brasil e algumas nações do Caribe.

Stefano Pozzebon, Avery Schmitz, Thomas Bordeaux, Ivonne Valdes e Camille Rodriguez contribuíram para este artigo

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