Embaixada de Portugal em Caracas e os consulados-gerais em Caracas e Valência apelaram à comunidade portuguesa na Venezuela para se manter “tranquila e em casa”,
O Governo português disse hoje à Lusa que não há, até ao momento, indicações de que cidadãos portugueses tenham sido afetados pelos ataques aéreos dos Estados Unidos contra a Venezuela.
“Até ao momento não temos indicação de que a comunidade portuguesa esteja a ser afetada”, indicou fonte oficial.
A embaixada de Portugal em Caracas e os consulados-gerais em Caracas e Valência apelaram à comunidade portuguesa na Venezuela para se manter “tranquila e em casa”, após os Estados Unidos terem realizado ataques aéreos, nomeadamente na capital.
Donald Trump fez a confirmação inicial do envolvimento dos EUA nos ataques à Venezuela na plataforma Truth Social, onde indicou que Maduro e a mulher foram “transferidos para fora do país” após “um ataque em grande escala”, numa operação realizada em conjunto com as autoridades policiais norte-americanas.
Em declarações ao New York Times, Trump celebrou “uma operação brilhante”, sobre a qual dará mais informações numa conferência de imprensa a partir da sua residência em Palm Beach (Flórida), às 11:00 locais (16:00 em Lisboa).
Horas antes deste anúncio, os Estados Unidos desencadearam uma série de ataques aéreos contra Caracas e os estados de Aragua e La Guaira, nas imediações da capital venezuelana, o que o Governo da Venezuela, numa primeira reação, condenou como uma “gravíssima agressão militar contra o território e a população venezuelanos”.
O ministro da Defesa da Colômbia, Vladimir Padrino, confirmou pelo menos um ataque “disparado com helicópteros de combate” contra o complexo militar de Fuerte Tiuna, o mais importante da Venezuela.
Meios de comunicação locais referem igualmente bombardeamentos contra o quartel de La Carlota e o aeroporto de Higuerote, a antena de comunicações de El Volcán e o porto de La Guaira.
A “captura” de Maduro e os ataques dos Estados Unidos à Venezuela acabaram por fazer transbordar a elevada tensão diplomática e militar existente nos últimos meses entre os dois países.
Trump tinha ordenado o destacamento de navios de guerra ao largo da costa venezuelana, apreendido petroleiros que partiam dos seus portos e ameaçado abertamente atacar território venezuelano, sob o argumento do combate ao narcotráfico.
Enquanto Colômbia, Cuba e Irão condenaram o ataque norte-americano, o Presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou o anúncio de Trump sobre a captura de Maduro através de uma publicação na rede social X.
Milei, uma das figuras mais próximas de Trump na região, reagiu ao anúncio da captura de Maduro poucos minutos após este ter sido divulgado na plataforma Truth Social.
Milei e Maduro mantêm uma forte rivalidade desde a tomada de posse do líder argentino de extrema-direita, em dezembro de 2023, tendo protagonizado numerosos confrontos, tanto retóricos como diplomáticos, em torno de questões como a detenção de um polícia argentino na Venezuela, em dezembro de 2024, a expulsão de diplomatas argentinos de Caracas após denúncias de fraude eleitoral e o pedido do Governo venezuelano de emissão de um mandado de captura contra Milei, entre outros.