TAP está interessada em aumentar número de voos para a Venezuela

Agência Lusa , AM
19 out, 06:16
Paulo Cafôfo

Paulo Cafôfo afirmou ainda que os portugueses que emigraram devido à crise estão a regressar à Venezuela

 A TAP está interessada em realizar mais voos entre Portugal e a Venezuela, disse o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SEC), Paulo Cafôfo, sublinhando que Caracas pode ser “estratégica” para a companhia aérea portuguesa.

“Quando que estive aqui em maio assumi o compromisso perante a comunidade de que me iria reunir com a CEO da TAP [, Christine Ourmières-Widener] (…). Reuni-me e nesse diálogo, a administração da TAP [manifestou que] tem vontade de aumentar a frequência de voos para a Venezuela”, disse o SEC.

Paulo Cafôfo falava à Lusa em Macuto (37 quilómetros a nordeste de Caracas), na terça-feira, pouco antes de finalizar uma visita de oito dias à Venezuela, onde além da capita, Caracas, contatou com portugueses em Tejerías, Maracay, Barquisimeto e Turumo.

“A questão da TAP é uma questão em que todos nós estamos de acordo: a TAP é importantíssima para a ligação que existe entre Portugal e as suas comunidades, particularmente aqui com a Venezuela”, disse.

O SEC explicou que “aquilo que é visível” é que é “uma linha que pode ser rentável, em que a TAP pode assumir vantagem até a outras companhias europeias, porque temos aqui uma comunidade que pode ser a alavanca para outros clientes da TAP, porque os clientes da TAP na Venezuela não são só ou não se restringem à comunidade”, embora a comunidade possa “ser a oportunidade para a TAP conquistar o mercado”.

“Num momento que sabemos como é difícil conquistar mercado, é fundamental, principalmente aqui na América do Sul, e aqui a Venezuela pode ser estratégica para a TAP”, disse.

“Aquilo que queremos é que haja um aumento de frequências, um aumento de voos, porque isso também baixa os preços, ganha-se mercado, ganha-se passageiros e reforça-se a ligação com a nossa comunidade”, insistiu Paulo Cafôfo.

“É preciso também dizer que a TAP já está a voar para Caracas. Antes de maio não poderíamos dizer isso e, portanto, há aqui um esforço grande do Governo e da diplomacia portuguesa que possibilitou que a TAP voltasse novamente, depois de muito tempo sem estar a viajar ou a fazer a rota aqui para a Venezuela”, disse.

“Nós temos a TAP a voar, mas queremos mais, e isso está a ser articulado, obviamente, com a administração da TAP”, sublinhou Cafôfo.

No entanto, acrescentou, “isso não invalida que não haja outras companhias que possam deslocar-se para a Venezuela. Aliás (…), fruto [dos esforços] do Governo português e da diplomacia portuguesa, houve negociações para que outras companhias, uma delas a EuroAtlantic, pudesse ser autorizada e licenciada a fazer a viagem entre Caracas e o Funchal”.

“Da nossa parte essa missão está cumprida, as autorizações estão dadas pelo Instituto Nacional de Aeronáutica Civil aqui da Venezuela e, portanto, agora cabe à companhia e da parte comercial, desenvolver as condições que foram criadas”, disse o SEC.

Segundo Paulo Cafôfo, a acessibilidade é importante na ligação de Portugal à Venezuela “e a TAP ou outras companhias, da parte do Governo português, só terão incentivo, facilitação e alguém que quer ser parte da solução e não parte do problema”.

Portugueses que emigraram devido à crise estão a regressar à Venezuela

Portugueses e luso-descendentes que nos últimos anos abandonaram a Venezuela devido à crise política, económica e social estão a regressar ao país, disse o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SEC), Paulo Cafôfo.

“É uma comunidade que tem crescido, apesar da crise dos últimos anos e de muitos terem regressado a Portugal. Agora, verifica-se o inverso. Ao retorno à Venezuela há uma vontade efetiva e visível que está a acontecer”, disse.

Paulo Cafôfo falava à Lusa na terça-feira, pouco antes de finalizar uma visita de oito dias à Venezuela, onde além de Tejerías (70 quilómetros a oeste da capital, Caracas), contatou com portugueses em Caracas, Maracay, Barquisimeto e Turumo.

“Eu prevejo que esta, que é uma das melhores comunidades e uma das maiores comunidades portuguesas do mundo, possa ter dias felizes com a afirmação de Portugal aqui, no quadro que é: sentem-se portugueses nas suas raízes, mas também se sentem venezuelanos”, frisou.

“Vejo aqui nesta comunidade uma grande pujança, uma grande dinâmica”, acrescentou Cafôfo.

“Temos contactado com diversos clubes, diversas associações, cujos dirigentes são jovens e isto significa que há uma renovação geracional e que esta comunidade não está a ficar presa ao passado ou está a definhar”, disse.

Segundo Paulo Cafôfo, “bem pelo contrário, é uma comunidade com gente jovem. Eu comparei há pouco à África do Sul, uma comunidade envelhecida, e nesta comunidade aquilo que vejo é que a esse nível teremos um futuro garantido”.

“É aquilo que tenho dito, [que] acabamos por ter duas pátrias e um povo. E isto é algo que não acontece em todos os lugares, em todos os países, em todas as comunidades e por isso é que a nossa função é estar próximo”, disse o SEC.

Paulo Cafôfo explicou que, “em primeiro lugar”, é preciso “dotar dos serviços necessários e a resposta que o Estado [português] deve dar em termos de serviços consulares”.

“Também valorizar os nossos empreendedores, empresários de sucesso, pessoas que ajudaram a construir a Venezuela e desenvolver a Venezuela. E, por outro lado, somos solidários e reforçar o apoio social para aqueles que efetivamente, neste momento estão a atravessar um momento difícil”, disse.

Governo quer levantamento exaustivo dos prejuízos de portugueses afetados pelo mau-tempo

O Governo português quer um levantamento exaustivo dos prejuízos de portugueses que foram afetados pelo mau-tempo em Tejerías (70 quilómetros a oeste de Caracas), onde três portugueses morreram e um outro está desaparecido.

“O que importa agora, mais do que tudo, é fazermos um levantamento, de certa forma exaustivo, daquilo que foram os prejuízos e de que quantidades, ou de quais são as verbas financeiras necessárias para ajudar estas pessoas que de uma hora para outra viram a sua vida levada pelas águas”, disse o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas (SEC).

Paulo Cafôfo falava à Lusa na terça-feira, pouco antes de finalizar uma visita de oito dias à Venezuela, onde, além de Tejerías, contatou com portugueses em Caracas, Maracay, Barquisimeto e Turumo.

Segundo o SEC, o Governo português está “a fazer aquilo que é prioritário”, tendo, “desde a primeira hora, os funcionários dos serviços consulares e da Embaixada no terreno em contacto direto com as pessoas” afetadas.

“Eu próprio e o senhor embaixador [João Pedro Fins do Lago], estivemos a visitar e conhecer Las Tejerías, a conhecer especialmente os danos e os prejuízos causados”, frisou.

Paulo Cafôfo explicou que foram feito contatos “tanto com o Governo da Venezuela como com elementos da comunidade portuguesa. Falo de conselheiros da comunidade, câmaras de comércio e dirigentes associativos com quem estivemos reunidos e há uma grande vontade, tanto do Governo da Venezuela como deste movimento associativo de poder ajudar”.

“A essa vontade, há a obrigação do Governo português e, obviamente, logo que chegue a Lisboa as minhas diligências vão ser precisamente de fazer com que haja mecanismos que possam ajudar estas pessoas”, disse o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

Paulo Cafôfo sublinhou ainda que “mas há um trabalho de base, esse trabalho está a ser feito, que é o de inventariar e quantificar”.

Pelo menos 50 pessoas morreram num aluimento de terras, há uma semana, em Tejerías, no centro da Venezuela, segundo as autoridades locais, que não têm divulgado o número de desaparecidos. Entre a meia centena de mortos estão confirmados três portugueses.

As chuvas registadas nas últimas três semanas na Venezuela causaram aluimentos de terra e inundações em metade do país, onde milhares de pessoas perderam parcial ou totalmente as casas.

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