Desde segunda-feira, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra os resultados eleitorais anunciados
A organização de defesa dos direitos humanos venezuelana Foro Penal afirmou esta terça-feira que pelo menos seis pessoas, incluindo dois menores, morreram durante os protestos que se registam desde segunda-feira no país contra a reeleição do Presidente Nicolás Maduro.
"Neste momento, o lamentável número de pessoas assassinadas, no dia de ontem [segunda-feira], 29 de julho, é de seis pessoas, dois menores - uma rapariga de 16 anos e um rapaz de 15 anos", disse o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, em declarações à imprensa e reproduzidas na página da organização não-governamental (ONG) na rede social X.
#30Jl Balance de represión (postelectoral) actualizado a las 10:00 am por @ForoPenal.
— Alfredo Romero (@alfredoromero) July 30, 2024
Detenciones y asesinatos verificados, ocurridos el día de ayer 29 de julio:
- 132 detenciones
- 6 asesinatos
Aviso: seguimos recibiendo denuncias y actualizando cifras. pic.twitter.com/XCDrWAMdjl
O responsável deu ainda conta de 132 detidos pelas autoridades neste período que designou como "pós-eleitoral", referindo-se aos protestos que se têm repetido por várias cidades venezuelanas desde segunda-feira contra os resultados da eleições presidenciais de domingo, anunciados pelas autoridades, que reelegeram o Presidente Nicolás Maduro.
Segundo Romero, a maioria das pessoas foram detidas na capital, Caracas, mas também relatou "uma quantidade importante" de detidos no estado de Zúlia.
A ONG, adiantou, está permanentemente a recolher denúncias e a verificar as detenções, que "estão constantemente a subir", e os falecidos. "Lamentavelmente, e esta é uma situação que já conhecemos há mais de 22 anos, as manifestações não são acompanhadas de diálogo ou conversações com o Governo, mas sim com repressão", criticou Alfredo Romero.
Anteriormente, as autoridades e o Foro Penal tinham referido três mortos.
Hoje, o procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, disse que um membro das Forças Armadas morreu devido a disparos que atribuiu aos manifestantes, no estado de Aragua (norte). Além disso, pelo menos 48 polícias e militares ficaram feridos.
Cerca de 750 pessoas foram detidas na Venezuela nos protestos contra a reeleição do Presidente Nicolás Maduro, anunciou o procurador-geral, que afirmou que “o número pode aumentar”. “Um número preliminar de 749 delinquentes detidos”, disse Tarek William Saab em declarações à imprensa, acrescentando que a maioria foi acusada de “resistência à autoridade” e “em casos mais graves, de terrorismo”.
Algumas dessas pessoas, prosseguiu, estão ligadas a casos como o ataque a autarquias governadas pelo chavismo, a um escritório do Conselho Nacional Eleitoral ou violação do património - os manifestantes derrubaram várias estátuas do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013).
O Conselho Nacional Eleitoral concedeu a vitória ao Presidente Maduro com pouco mais de 51% dos votos, à frente do principal candidato da oposição, Edmundo González Urrutia, que terá obtido 44% dos votos.
A principal coligação da oposição, a Plataforma Democrática Unida (PUD), afirmou que o seu candidato ganhou a Presidência por uma ampla margem (73%) e criou um sítio na Internet no qual carregou resultados eleitorais para sustentar a sua afirmação.
A oposição e parte da comunidade internacional duvidam destes resultados e exigem mais transparência e uma análise das atas eleitorais.