Venezuela: Maduro relaciona ciclone com aquecimento global e destruição do planeta

Agência Lusa , AM
29 jun, 06:46
Nicolás Maduro

Ciclone vai atingir o país nas próximas horas. Até que passe o perigo, foram encerradas algumas vias terrestres, praias venezuelanas e foram abertos refúgios para as populações em situação de risco

O presidente da Venezuela alertou, pela primeira vez, para aproximação de um ciclone, que vai atingir, nas próximas horas, o país, atribuindo o fenómeno ao aquecimento global.

“Vamos cuidar o nosso povo, protegê-lo, ajudá-lo nesta emergência que estamos a atravessar, como resultado do aquecimento global, da destruição do planeta que o capitalismo tem causado nos últimos 100 anos”, afirmou Nicolás Maduro, durante uma videoconferência com os governadores de todos os 24 estados do país, transmitida pela televisão estatal venezuelana.

“E, ninguém está a fazer nada, apenas declarações, apenas discursos, oferecimentos, promessas, mentiras e o tempo está a avançar”, frisou.

O presidente da Venezuela explicou que está a monitorizar “a evolução do ciclone” e, depois de consultar “todas as opiniões e estudos de peritos e cientistas na matéria”, chegou à conclusão tratar-se de um fenómeno desconhecido no país.

“Tem havido fenómenos atmosféricos, fenómenos naturais, que nos atingiram duramente nos anos 1980, 1993 e 1999, mas eram fenómenos atmosféricos surgidos da confluência de sistemas. Mas, um ciclone que atingirá diretamente a costa da Venezuela, a nossa geração não conhecia isso”, considerou.

Maduro insistiu que “todos os estudos, projeções, apontam para um fenómeno novo, devido ao aquecimento dos mares, ao aquecimento global e às alterações climáticas”.

Por outro lado, anunciou que foram tomadas várias medidas, como a suspensão das aulas em Caracas e nos estados de Sucre, Anzoátegui, Nova Esparta, Miranda, La Guaira, Arágua, Carabobo, Falcão e Zúlia, onde o impacto principal do ciclone será sentido.

Maduro explicou que todos os aeroportos estão sob medidas especiais de restrição de voos, tendo sido proibida a saída de todas as embarcações de todos os portos e docas do país.

“As comunidades piscatórias já devem ter tomado as medidas, porque já lhes foi dada a orientação para proteger todos os barcos, os ranchos [casas], a vida das comunidades, das famílias de pescadores, que vivem perto do mar”, frisou.

Até que passe o perigo, foram encerradas algumas vias terrestres, praias venezuelanas e foram abertos refúgios para as populações em situação de risco, acrescentou.

“Há 70 toneladas de alimentos, água potável, fornecimentos, prontos para o apoio ativo a qualquer região do país (…) E, já há uma estratégia para proteger o serviço elétrico perante um fenómeno desta natureza”, disse, insistindo tratar-se de um fenómeno diferente e "nunca visto" pela atual geração.

As autoridades da Venezuela preveem que nas próximas horas o ciclone tropical n.º 2 se aproxime do território venezuelano, provocando abundantes chuvas e ventos fortes durante cinco dias, em pelo menos nove dos 24 estados do país.

Nas últimas horas, as autoridades multiplicaram os apelos à população para que fique em casa, mantenha a calma e tome medidas de prevenção, como fixar objetos soltos, proteger janelas, reforçar os tetos [das casas], desligar equipamentos elétricos, fechar torneiras do gás, ter um 'kit' de primeiros socorros, um rádio. Deve ainda manter-se em contacto direto com as autoridades.

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