Venezuela: foi libertada a luso-venezuelana Carla da Silva, condenada a 20 anos de prisão

CNN Portugal , MJC - com Lusa - notícia atualizada às 22:48
25 jan, 21:45
Protestos em Caracas pela libertação de prisioneiros, em novembro de 2025 (AP)

Carla da Silva tinha sido condenada a mais de 20 anos de prisão, dos quais já tinha cumprido cerca de 5 anos. O MNE está a acompanharo o caso e em contacto com a família

Acaba de ser libertada a luso-venezuelana Carla da Silva, informa o MInistério dos Negócios Estrangeiros.

O MNE está a acompanharo o caso e em contacto com a família. Carla da Silva tinha sido condenada a mais de 20 anos de prisão, dos quais já tinha cumprido cerca de 5 anos. 

A CNN Portugal tinha noticiado que havia oito cidadãos portugueses detidos na Venezuela em casos de natureza política e, apesar de países como Espanha e Itália terem conseguido a libertação de alguns dos seus nacionais, nenhum português tinha sido até agora libertado, numa altura em que cresce a pressão para reforçar a intervenção diplomática. 

Segundo a Lusa, a luso-venezuelana estava presa no Instituto Nacional de Orientação Femenina (INOF) desde 27 de setembro e já tinha cumprido até cinco anos, oito meses e 20 dias de prisão, ainda segundo a fonte do MNE.

Carla da Silva tinha sido condenada por um tribunal de Caracas em 23 de maio de 2024, juntamente com outras 28 pessoas, militares e civis, por conspirarem para derrubar o Governo da Venezuela. A sentença foi conhecida após uma audiência de mais de 15 horas de duração, em que foram acusados de traição, conspiração, rebelião, tráfico de armas de guerra, associação para cometer crimes e financiamento de terrorismo.

Presa por tentar derrubar o regime de Maduro

Vinte dos acusados foram condenados a 30 anos de prisão e outros nove, entre eles Carla da Silva, a 21 anos de prisão, por terem alegadamente participado, em 3 de maio de 2020, na “Operación Gedeón”, também conhecida como “Macutazo”. Esta falhada incursão marítima de ex-militares no exílio tentou, com o apoio de um antigo membro das forças especiais dos EUA, infiltrar-se no país e treinar venezuelanos para derrocar o governo do presidente Nicolás Maduro, numa operação durante a qual morreram seis dissidentes.

Em outubro de 2023, a organização não-governamental (ONG) venezuelana Foro Penal (FP) pediu às autoridades que libertassem Carla da Silva, então presa preventivamente há mais de três anos. 

“Carla da Silva é uma das presas políticas na Venezuela. Foi detida arbitrariamente em 05 de maio de 2020, e encontra-se em ‘El Helicoide’ [prisão em Caracas], lugar do qual tanto se conhece porque vários presos políticos estão aí […]. Em conformidade com a nossa lei, deveria estar em liberdade, porque ninguém pode estar mais de três anos privado da liberdade preventivamente”, explicou na altura o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero.

Num vídeo então divulgado na Internet, Alfredo Romero disse que a luso-venezuelana estava detida ao cuidado do Serviço Bolivariano de Inteligência, os serviços de informação do regime de Caracas. No mesmo vídeo, a professora de filosofia Miriam Marrero, mãe de Carla da Silva, defendeu que a filha era “uma presa política, uma sequestrada pelo regime”.

A imprensa venezuelana revelou na altura que Carla da Silva tinha sido detida durante uma festa infantil na qual conheceu uma mulher que teria alegadamente participado, dois dias antes, na “Operación Gedeón”.

A luso-venezuelana foi levada por funcionários das FAES para La Quebradita (oeste de Caracas), onde foi interrogada e impedida de regressar a casa. Só passados 20 dias é que os familiares conseguiram saber que Carla da Silva tinha sido detida e onde se encontrava.

Mais de 80 presos políticos foram libertados este domingo

O Governo de Delcy Rodríguez, no poder desde a captura de Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro, prometeu desde então um "número significativo" de libertações.

Pelo menos 80 presos políticos foram libertados este domingo na Venezuela, numa altura em que o processo de libertação de detidos avança lentamente sob pressão de Washington, informou a organização não-governamental Foro Penal.

No sábado, a organização não-governamental Programa Venezuelano de Educação e Ação em Direitos Humanos (Provea) pediu às autoridades da Venezuela que revoguem o decreto de emergência externa que vigora no país desde que os EUA capturaram Nicolás Maduro. Segundo a Provea, o decreto é inconstitucional e permite reprimir a população por motivos políticos, sendo que com a sua revogação seria possível avançar num processo de reconciliação que conduza à redemocratização do país e ao respeito pela Constituição Nacional.

Em comunicado, a organização referiu ainda que "a reivindicação mais urgente, que une toda a sociedade, é a libertação plena, incondicional e imediata de todas as pessoas que se encontram arbitrariamente privadas de liberdade ou sujeitas a processos judiciais por motivos políticos e que continuam injustamente detidas em prisões e delegacias do país”. Segundo a Provea, os presos por motivos políticos e as suas famílias, “têm sido vítimas de graves abusos, incluindo tortura, tratamentos cruéis, desumanos e degradantes".

Na sexta-feira, a Plataforma Democrática Unitária (PUD), que reúne a maioria da oposição venezuelana, instou o Governo a publicar uma “lista detalhada” de presos políticos libertados nas últimas semanas, depois de Delcy Rodríguez ter afirmado que 626 pessoas foram libertadas desde dezembro.

No entanto, o balanço não corresponde aos relatórios das ONG. A Foro Penal contabiliza aproximadamente metade deste número no mesmo período.

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