EUA só trabalharão com autoridades venezuelanas que tomem “as decisões certas": “Vamos avaliar a situação daqui para a frente", diz Marco Rubio

CNN Portugal , MJC
4 jan, 18:39

Rubio diz que os EUA não acreditam que o regime seja legítimo. E espera que a destituição de Maduro conduza a "uma Venezuela melhor", mas acrescenta que o "objetivo número um é a América"

Os EUA não estão em guerra com a Venezuela, garantiu este domingo secretário de Estado norte-americano Marc Rubio. Os EUA julgarão a Venezuela pelo "que fizerem" a seguir, afirma Rubio aos jornalistas americanos, acrescentando que Washington manterá "múltiplas alavancas de influência" para proteger os seus interesses.

Rubio disse que os EUA julgarão a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez pelo que ela fizer no futuro como presidente interina. “Esperamos ver mais conformidade e cooperação do que estávamos recebendo anteriormente”, disse. Em entrevista ao programa “Face the Nation with Margaret Brennan”, emitido hoje de manhã, o secretário de Estado deixou um aviso: “Vamos avaliar a situação daqui para a frente. Vamos julgar tudo com base nas suas ações e veremos o que farão."

Os Estados Unidos só trabalharão com as autoridades venezuelanas que tomem “as decisões certas", disse, garantindo que Washington ainda pode pressionar mais o país sul-americano. "Se eles [quem esteja no poder na Venezuela] não tomarem as decisões certas, os Estados Unidos manterão diversas ferramentas de influência para garantir a proteção dos nossos interesses, incluindo o embargo ao petróleo em vigor”, avançou Marco Rubio, em entrevista à CBS.

Rubio diz que não foi necessária autorização do Congresso antes da operação "porque não se tratou de uma invasão". Marco Rubio, que Donald Trump disse que vai ajudar a “governar” a Venezuela, afirmou que não há tropas americanas na Venezuela: “Não temos forças americanas no terreno”, disse Rubio, acrescentando que as forças estiveram na Venezuela apenas “durante cerca de duas horas quando foram capturar Maduro” no sábado.

Questionado diretamente sobre a hipótese de colocar “boots on the ground” (tropas norte-americanas no terreno) na Venezuela, país com quase 30 milhões de habitantes, Rubio admitiu que o Presidente Trump “mantém sempre todas as opções em aberto para todos os assuntos”.

Trump “certamente tem a capacidade e o direito, de acordo com a Constituição dos Estados Unidos, de agir contra ameaças iminentes e urgentes contra o país”, defendeu, realçando que, com a operação executada no sábado, Washington não quis “entrar e terminar logo”, mas sim “entrar e apanhar” o que queria.

Questionado sobre se considera que a Presidente interina Delcy Rodríguez é agora a Presidente legítima da Venezuela, Rubio diz que os EUA não acreditam que o regime seja legítimo. E espera que a destituição de Maduro conduza a "uma Venezuela melhor", mas acrescenta que o "objetivo número um é a América". 

EUA mantêm sanções aos carregamentos de petróleo venezuelano, garante Rubio

Rubio assinalou que a economia da Venezuela é “movida a petróleo”, mas, neste momento, “é uma indústria petrolífera atrasada, que precisa de muita ajuda e trabalho, não só em termos de desenvolvimento, mas também porque não beneficia a população, [já que] nenhum do dinheiro do petróleo chega ao povo”.

O secretário de Estado Marco Rubio disse no programa Face the Nation, da CBS News, que os EUA continuarão a exercer pressão sobre a Venezuela, apreendendo barcos venezuelanos que transportam petróleo.

“Há uma bloqueio neste momento em que os barcos com carregamentos de petróleo são sancionados pelos EUA, vamos obter uma ordem judicial, vamos apreendê-lo”, explicou Rubio. “Isso continua em vigor até que vejamos mudanças que - não apenas promovam o interesse nacional dos Estados Unidos, que é o número um - mas também que levem a um futuro melhor para o povo da Venezuela.”

EUA optaram por só capturar Maduro e a mulher porque era essa a "prioridade"

O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio defendeu a decisão da administração de depor apenas o líder venezuelano Nicolas Maduro e não outros membros importantes do seu governo que também foram indiciados pelo governo dos EUA por acusações de tráfico de drogas. Rubio explicou que não teria sido viável ir atrás de autoridades como o ministro da Defesa, Vladimir Padrino Lopez, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello (também foi indiciado pelo governo dos EUA e tem uma recompensa de 25 milhões de dólares).

“Se já estão a reclamar dessa única operação, imagine o alvoroço se fôssemos lá e ficássemos quatro dias para capturar mais quatro pessoas. Conseguimos [capturar] a prioridade número um”, apontou, descrevendo a operação como “bastante sofisticada e, francamente, complicada”. “Optámos pela prioridade máxima”, disse, observando que não foi uma missão fácil capturar Maduro e sua esposa.

Atribuindo “o mérito aos militares americanos que realizaram a operação”, que classifica como “um enorme sucesso”, Rubio saudou a detenção de “um narcotraficante indiciado que não era o Presidente legítimo da Venezuela”.

Transição democrática poderá demorar, diz Rubio. "Temos coisas a curto prazo que têm de ser resolvidas de imediato"

Marco Rubio garantiu ainda que os Estados Unidos querem ver uma transição democrática na Venezuela, mas não quis dar um prazo, argumentando que a administração “precisa de lidar com a realidade imediata” e disse que discutir um potencial calendário para as eleições na Venezuela era “prematuro”.

"Temos coisas a curto prazo que têm de ser resolvidas de imediato. Todos nós desejamos ver um futuro brilhante para a Venezuela, a transição para a democracia. Todas estas coisas são óptimas e todos nós queremos ver isso", afirmou no programa Meet the Press da NBC.

"Há 15 ou 16 anos que existe este sistema de Chavismo e todos perguntam: por que razão, 24 horas depois de Nicolas Maduro ter sido preso, não há eleições marcadas para amanhã? Isso é absurdo", questionou.

Reconhecendo admiração por María Corina Machado e Edmundo González, opositores venezuelanos, o representante sublinhou que os Estados Unidos estão focados na “missão” de retirar “um país potencialmente muito rico” do controlo de um regime que se “acomodou” ao Irão, ao Hezbollah (milícia fundamentalista xiita libanesa) e a “gangues de narcotraficantes que operam impunemente no seu próprio território”.

Para isso, a administração Trump vai fazer uma avaliação das pessoas com base no que fizerem: “não [o faremos com base] no que disserem publicamente neste período interino, não no que sabemos que eles fizeram no passado em muitos casos, mas sim no que farão daqui para frente”.

Washington não está “apenas a abordar o regime” de Nicolás Maduro, mas “os fatores que representam uma ameaça ao interesse nacional dos Estados Unidos”, ressalvou Rubio, recordando que os Estados Unidos fizeram tentativas junto do regime venezuelano, mas “simplesmente não foi possível trabalhar” com Maduro, que “nunca cumpriu nenhum dos acordos que fez” e a quem, mesmo assim, foi dada “oportunidade de se retirar de cena” pacificamente.

“Queremos o fim do tráfico de droga. Não queremos mais membros de gangues no nosso território. Não queremos ver a presença iraniana e, aliás, a cubana no passado. Queremos que a indústria petrolífera naquele país não beneficie piratas e adversários dos Estados Unidos, mas sim o povo [venezuelano]”, detalhou.

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