A reação da presidência de Nicolás Maduro ao ataque norte-americano deste sábado em solo venezuelano
A Venezuela acusa os Estados Unidos de "violação flagrante da Carta das Nações Unidas", após a "gravíssima agressão militar" de que foi alvo esta manhã.
Os Estados Unidos atacaram até ao momento 11 locais em solo venezuelano, nomeadamente instalações militares, como base aéreas, mas também o Palácio Federal Legislativo em Caracas, a sede da Assembleia Nacional.
Caracas sublinha que estes ataques têm por único objetivo os "recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e dos seus minerais" e garante aos Estados Unidos que "não o conseguirão".
No comunicado, que foi divulgado pelo presidente da Colômbia, a Venezuela pede ainda ajuda aos seus aliados, não apenas na América Latina mas "no mundo".
Leia na íntegra o comunicado:
"A República Bolivariana da Venezuela rejeita, repudia e denuncia perante a comunidade internacional a gravíssima agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana nas localidades civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, especialmente dos artigos 1.º e 2.º, que consagram o respeito pela soberania, a igualdade jurídica dos Estados e a proibição do uso da força. Esta agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, nomeadamente na América Latina e nas Caraíbas, e põe em grave risco a vida de milhões de pessoas.
O objetivo deste ataque não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular do seu petróleo e dos seus minerais, numa tentativa de quebrar pela força a independência política da nação. Não o conseguirão. Após mais de duzentos anos de independência, o povo e o seu governo legítimo mantêm-se firmes na defesa da soberania e do direito inalienável de decidir o seu destino. A tentativa de impor uma guerra colonial para destruir a forma republicana de governo e forçar uma "mudança de regime", em aliança com a oligarquia fascista, falhará como todas as tentativas anteriores.
Desde 1811, a Venezuela tem enfrentado e derrotado impérios. Quando, em 1902, potências estrangeiras bombardearam as nossas costas, o Presidente Cipriano Castro proclamou: "A equipa insolente do estrangeiro profanou o solo sagrado da Pátria". Hoje, com a moral de Bolívar, Miranda e dos nossos libertadores, o povo venezuelano levanta-se de novo para defender a sua independência contra a agressão imperial. Povo às ruas
O Governo Bolivariano apela a todas as forças sociais e políticas do país para que ativem os planos de mobilização e repudiem este ataque imperialista. O povo venezuelano e a sua Força Armada Nacional Bolivariana, em perfeita fusão popular-militar-policial, estão mobilizados para garantir a soberania e a paz. Simultaneamente, a Diplomacia Bolivariana da Paz apresentará as correspondentes denúncias ao Conselho de Segurança da ONU, ao Secretário-Geral da ONU, à CELAC e ao NAM, exigindo a condenação e responsabilização do governo dos EUA.
O Presidente Nicolás Maduro preparou todos os planos de defesa nacional para serem implementados no momento e nas circunstâncias apropriadas, em estrita conformidade com as disposições da Constituição da República Bolivariana da Venezuela, da Lei Orgânica sobre Estados de Emergência e da Lei Orgânica sobre Segurança Nacional.
Neste sentido, o Presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a aplicação do Decreto que declara o estado de perturbação externa em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar imediatamente à luta armada. Todo o país deve ser ativado para derrotar esta agressão imperialista.
Da mesma forma, ordenou a implantação imediata do Comando para a Defesa Integral da Nação e dos Órgãos de Direção para a Defesa Integral em todos os estados e municípios do país.
Em estrita conformidade com o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, a Venezuela reserva-se o direito de exercer a legítima autodefesa para proteger o seu povo, o seu território e a sua independência. Apelamos aos povos e governos da América Latina, das Caraíbas e do mundo para que se mobilizem em solidariedade ativa face a esta agressão imperial.
Como disse o Comandante Supremo Hugo Chávez Frías, “em qualquer circunstância de novas dificuldades, por maiores que sejam, a resposta de todos os patriotas... é a unidade, a luta, a batalha e a vitória”.
Caracas, 3 de janeiro de 2025"