Refúgio de luxo da família Swarovski procura novo proprietário. É a única sobrevivente das "ilhas-jardim" de Veneza
Se sonha refugiar-se numa paisagem idílica, rodeada por águas tranquilas e capaz de produzir o seu próprio vinho exclusivo — e tem cerca de 24 milhões de euros disponíveis — poderá encontrar o destino ideal na lagoa de Veneza.
Na extremidade norte deste local classificado como Património Mundial da UNESCO encontra-se uma ilha privada com cerca de 29 hectares, colocada à venda pela primeira vez em mais de quatro décadas, segundo um anúncio da Venice Sotheby’s International Realty.
O refúgio, denominado Isola Santa Cristina, pertenceu anteriormente ao falecido empresário austríaco Gernot Langes-Swarovski, informou a empresa imobiliária num comunicado partilhado com a CNN. Langes-Swarovski era bisneto de Daniel Swarovski, fundador da Swarovski Crystal.
Santa Cristina está à venda por 24 milhões de euros e inclui uma villa principal com nove quartos e nove casas de banho.
A propriedade dispõe ainda de uma piscina aquecida de água salgada, extensos jardins e terraços, uma garagem para barcos, uma casa agrícola independente, uma capela, uma vinha privada, um olival e pomares com damasqueiros e ameixeiras.
A cidade de Veneza fica a apenas cerca de 20 minutos de barco (privado, claro) — e a ilha possui cinco embarcações, além de espaço para mais cinco.
Para deslocações mais longas, Santa Cristina conta também com um heliporto, permitindo chegadas e partidas rápidas.
Mas dificilmente haverá necessidade de abandonar aquele que se tornou um verdadeiro santuário autossustentável.
A ilha possui uma nascente própria de água doce que alimenta aquilo que o portal oficial de turismo de Itália descreve como uma espécie de “mini-piscicultura”, com produção biológica de peixe e uma variedade de produtos agrícolas.
Segundo a Sotheby’s, Langes-Swarovski tinha uma paixão pela agricultura, pelas plantas e pela vida selvagem, além de se sentir particularmente atraído pela cultura piscatória da ilha.
A Isola Santa Cristina produz o seu próprio vinho, Ammiana, que normalmente não é comercializado, sendo reservado para uso privado dos proprietários e para oferta.
Além dos pomares e olivais, Langes-Swarovski impulsionou a criação de uma horta e de colmeias destinadas à produção de mel proveniente das zonas húmidas salobras da lagoa.
Quando foi habitada pela primeira vez, no século V, Santa Cristina fazia parte das chamadas “ilhas-jardim” do arquipélago de Ammiana. Atualmente, é a única sobrevivente desse conjunto insular, uma vez que a subida do nível do mar e a subsidência (afundamento gradual do terreno) levaram ao desaparecimento das restantes ilhas.
Quando Langes-Swarovski a adquiriu, em 1986, Santa Cristina encontrava-se abandonada desde o século XV, segundo a Sotheby’s.
Após a sua morte, em 2021, a propriedade passou para um fundo fiduciário familiar, que continuou a investir na ilha de acordo com os valores defendidos pelo empresário.
“Graças ao seu trabalho e ao da fundação, a ilha continuou a prosperar e a contribuir para um melhor conhecimento e proteção da lagoa, um recurso importante para o bem-estar económico e climático da região”, afirmou Christoph Völk, presidente dos administradores da fundação dos herdeiros Swarovski, SEGNAL Privatstiftung.
“Chegou agora o momento de a responsabilidade pela Isola Santa Cristina passar para um novo guardião, alguém que compreenda a singularidade deste local e cuja paixão pela ecologia e pela lagoa garanta o seu futuro”, acrescentou.
