Megaoperação da PJ incidiu em todo o Grande Porto para desmantelar uma organização criminosa internacional
A Polícia Judiciária (PJ) do Porto deteve sete pessoas, em quase 70 buscas realizadas, por associação criminosa, branqueamento de capitais, fraude fiscal e falsificação de documentos num esquema relacionado com os negócios da China Town da Varziela, na área industrial de Vila do Conde, apurou a CNN Portugal.
Foram constituídas arguidas 45 pessoas e empresas na operação desta quarta-feira, que decorreu no âmbito de uma investigação - denominada "cash-a-lot" - de 24 meses em que foram encontradas contas bancárias com depósitos em numerário superiores a 140 milhões de euros, numa
Há mais de 200 milhões de euros detetados, ao todo, em contas veículo num gigantesco esquema que passa à margem do Fisco.
O esquema passa pela utilização do Trade Based Money Laundering - com transações de comércio internacional para esconder a origem do dinheiro.
Estiveram envolvidos quase 150 inspetores da PJ na operação , em articulação com o DIAP Regional do Porto, e que contou com a colaboração da ASAE.
A PJ apreendeu e arrestou imóveis , viaturas topo de gama, quase 80 contas bancarias, e ainda cerca de 300 mil euros em dinheiro.
De acordo com o comunicado da Polícia Judiciária, foram cumpridos 67 mandados de busca que incidem sobre uma organização de caráter transnacional que é controlada por cidadãos nacionais e estrangeiros.
Além da zona de Vila do Conde, epicentro das buscas, as autoridades também estiveram presentes em Espinho, Paredes, Póvoa de Varzim, Porto, Valongo, Vila do Conde, Vila Franca de Xira e Vila Nova de Gaia.
A PJ esclarece que o esquema passava pela utilização do sistema bancário nacional para sustentar um processo de branqueamento de capitais, o que era feito através da criação de sucessivas sociedades e contas bancárias tituladas por essas mesmas sociedades. Era através dessas mesmas contas que fluía a maior parte do dinheiro proveniente da tal prática de Trade Based Money Laundering.
Os montantes em causa, indica aquela autoridade, provinham de origem criminosa e eram diretamente depositados em contas criadas para o efeito, para depois serem transferidos para contas correspondentes com domicílio em países europeus terceiros.
A operação policial envolveu cerca de 170 elementos da Diretoria do Norte da PJ e ainda de elementos das unidades de Braga e de Vila Real, contando também com a colaboração de elementos da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica.
As diligências foram acompanhadas por duas magistradas do Ministério Público do DIAP Regional do Porto.
Os detidos vão ser hoje presentes à competente autoridade judiciária no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.
O inquérito é titulado pelo DIAP Regional do Porto.