A nova linhagem da Ómicron é mais perigosa? E resiste às vacinas? Sete esclarecimentos sobre a BA.2

23 fev, 17:59
Ómicron. Foto: AP

A linha BA.2 da Ómicron está a crescer em diversos países. Tudo indica que será mais transmissível do que a BA.1 mas ainda não há evidências de que seja mais agressiva. Dois especialistas explicam à CNN Portugal tudo o que já se sabe

A BA.2 é uma variante?

Não. A variante Ómicron do vírus SARS-Cov2 inclui linhagem B.1.1.529 e descendentes ou sublinhagens BA.1, BA.2 e BA.3.

De uma maneira mais simples, podemos dizer que a BA.2 é uma linhagem da Ómicron.

No entanto, alguns especialistas consideram que a BA.2 é tão distinta que já deveria ser considerada uma variante que causa preocupação.

"Neste momento, já sabemos algumas coisas sobre a composição e a estrutura da BA.2 mas ainda não se sabe muito sobre a sua severidade, transmissibilidade ou capacidade de fuga aos anticorpos", diz à CNN Portugal Miguel Castanho, professor catedrático de Bioquímica e investigador do Instituto de Medicina Molecular. "A grande dúvida é: será que a BA.2 é suficientemente diferente para abrandar o ritmo da retardar o declínio da pandemia?"

As diferenças entre as duas linhagens são mostradas neste pequeno vídeo realizado pelo Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) da Universidade Nova:

A BA.2 já é dominante?

Ainda não, mas é provável que a BA.2 venha a ser a linhagem dominante. Isso deverá acontecer em breve em alguns países, como a Dinamarca ou a Áustria.

Neste momento, em Portugal  a linhagem dominante da variante micron é a BA.1, registando uma frequência relativa estimada de 71% à data de 17 de fevereiro de 2022, com tendência decrescente.

Em contraciclo, a linhagem BA.2 da variante Omicron tem revelado um progressivo aumento de circulação nas últimas semanas, estimando-se uma frequência relativa de 29% à data de 17 de fevereiro de 2022, com tendência crescente.

Porque é que a BA.2 está a crescer?

Segundo os primeiros estudos realizados, o índice de transmissibilidade desta sublinhagem é 1,4 vezes superior ao da BA.1

Isto significa que é mais rápida a infetar cerca de meio-dia em relação à BA.1, explica à CNN Portugal o epidemiologista Manuel Carmo Gomes. Ou seja, de acordo com estudos ingleses, a partir do momento em que uma pessoa é infetada com a BA.2 demora 3,27 a poder transmitir a outra pessoa, enquanto com a BA.1  esse período é de 3,72 dias.

Em média, o período de incubação (período que vai desde o momento em que uma pessoa é infetada até ter sintomas) é de três dias. 

A BA.2 é mais perigosa?

"As evidências que existem sobre a capacidade da BA.2 provocar doença grave são ainda muito ténues", afirma Carmo Gomes.

Miguel Castanho reafirma que os estudos existentes ainda não são conclusivos mas as primeiras indicações, nomeadamente as vindas dos países onde esta linhagem já é quase dominante, são de que, tal como a BA.1, esta linhagem não seja tão agressiva quanto a variante Delta.

Essa é, talvez, a grande questão que se coloca agora sobre esta linhagem: será que vai levar a um aumento das hospitalizações?

A BA.2 é mais resistente às vacinas?

"Já sabíamos que a imunidade humoral é pouco efetiva a evitar a infeção com Ómicron. A boa notícia é que sabemos que a eficácia dos anticorpos que existem no organismo - seja devido às vacinas, seja devido a uma infeção anterior - não é mais baixa com a BA.2 do que já era com a BA.1", esclarece Carmo Gomes.

Ou seja, aparentemente, diz Miguel Castanho, "as alterações estruturais não são suficientes para aumentar a resistência às vacinas ou a probabilidade de reinfeção".

Os sintomas da BA.2 são diferentes da BA.1?

Tanto quanto sabemos, não. Os sintomas das várias linhagens da Ómicron são bastante semelhantes, situando-se ao nível do trato respiratório superior. De uma maneira geral, os principais sintomas da Ómicron são o nariz entupido, dor de cabeça e cansaço.

Devemos estar preocupados com a BA.2?

"Já estamos atentos à BA.2, como é óbvio", afirma Carmo Gomes.

"Não podemos subestimar esta linhagem", avisa Miguel Castanho. "Neste momento temos que nos manter atentos porque há o risco de uma nova linhagem ou uma nova variante reaviva a pandemia. Temos que impedir que volte tudo a acontecer outra vez."

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