Ficaram em "choque": tiraram a cola e o cartão e apareceu um van Gogh

14 jul, 20:12
Quadro "Cabeça de uma Camponesa" com um autorretrato escondido de van Gogh (AP)

Descoberto um inédito do pintor

Um quadro de Vincent van Gogh foi descoberto atrás de uma outra pintura. Tudo graças a um raio-X que especialistas da Galeria Nacional da Escócia fizeram quando preparavam uma exposição.

Trata-se de um autorretrato até então desconhecido e que estava coberto por camadas de cola e cartão atrás do quadro “Cabeça de uma Camponesa”.

A conservadora da galeria admitiu que a equipa ficou em “choque” quando deu pelo artista a “olhar” para eles: “Quando vimos o raio-X pela primeira vez, claro que ficámos excitados. É uma descoberta significativa porque traz mais àquilo que já sabíamos sobre a vida de van Gogh”.

O processo foi explicado e mostrado através de um vídeo partilhado pela galeria escocesa.

Este caso terá acontecido por causa de uma das práticas do pintor: é que, como não tinha dinheiro para comprar telas, muitas vezes o artista reutilizava as que tinha para poupar dinheiro, nomeadamente virando-as ao contrário e pintando no lado oposto.

O “Cabeça de uma Camponesa” está na Galeria Nacional da Escócia desde 1960, quando um influente advogado inglês decidiu oferecer o quadro, que mostra uma mulher da cidade de Nuenen, no sul dos Países Baixos, onde van Gogh viveu entre 1883 e 1885.

Pensa-se que o autorretrato que estava escondido terá sido pintado anos mais tarde, quando o pintor vivia um dos seus momentos áureos, em Paris.

Autorretrato de van Gogh descoberto com raio-X (Galeria Nacional da Escócia)

Quinze anos após a morte de van Gogh, o “Cabeça de uma Camponesa” foi emprestado ao Museu Stedelijk, em Amesterdão, sendo que os especialistas pensam que terá sido aí que a tela foi colada por cima do autorretrato, antes de ser emoldurada, uma vez que os diretores da exposição terão considerado que a mulher estava mais-bem “acabada” que o autorretrato.

Sem se saber ao certo quais os passos que se seguem, os especialistas admitem que é possível descolar as duas pinturas sem estragar nenhuma delas, sendo que esse processo será sempre altamente delicado, estando em curso uma investigação sobre como poderá ser feito da melhor forma, especialmente sem danificar o “Cabeça de uma Camponesa”.

Enquanto isso não é possível, os visitantes do museu, que fica em Edimburgo, têm a oportunidade de ver o autorretrato através de um raio-X numa caixa feita especialmente para o efeito.

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