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Ministra da Justiça diz que fuga de Vale de Judeus é "infeliz caso" que "tem sido um sucesso"

Andreia Miranda , notícia atualizada às 10:47
11 dez 2024, 10:23
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Rita Alarcão Júdice congratulou-se pelo trabalho feito pela PJ na captura dos evadidos

A ministra da Justiça felicitou, esta quarta-feira, durante a conferência organizada pela Polícia Judiciária dedicada à luta contra a corrupção, o trabalho das autoridades na captura dos evadidos de Vale de Judeus.

"Queria felicita-lo a si e a toda a equipa da Polícia Judiciária por mais uma captura de um dos evadidos de Vale de Judeus. Há boas notícias na Justiça, e eu já lhe disse por várias vezes, mas vou reiterar aqui perante todos, que é de facto um grande orgulho para mim, e sei que é partilhado por todos os portugueses, o trabalho que a Polícia Judiciária desenvolve diretamente em cooperação, seja com outros órgãos de polícia criminal, seja em cooperação internacional", começou por dizer Rita Alarcão Júdice.

A ministra da Justiça disse ainda que "este infeliz caso tem sido um sucesso nessa parte" e que, por isso, queria que Luís Neves "aceitasse também este reconhecimento, esta gratidão, não só como ministra da Justiça, mas como cidadã".

Aos jornalistas, após a conferência, Rita Alarcão Júdice disse ainda que a captura de Shergili Farjiani "é uma excelente imagem de cooperação internacional".

"A PJ tem uma ótima reputação internacional, reconhecida por todos, e esta cooperação que tem existido quer a nível nacional quer a nível internacional, nas três capturas que já foram feitas, é algo que nos deixa muito satisfeitos e acredito que o Diretor Nacional [da PJ] também", afirmou.

Também Luís Neves, diretor nacional da PJ, agradeceu à ministra da Justiça por ter elogiado o trabalho daquela polícia, mas escusou-se a dar pormenores sobre a operação policial no norte de Itália que levou à captura do fugitivo georgiano.

"Nós não vamos falar muito - ainda é muito cedo - sobre o que os colegas italianos fizeram. Foi a Polícia de Estado que esteve nesta ação. Ele foi capturado no norte de Itália, com quem nós estamos naturalmente em contacto direto. Mas ainda é cedo para podermos dar-vos grandes pormenores. Porque há mais intervenientes e há outros dados relativamente a este caso", afirmou, acrescentando que "não há um flagrante delito. Há uma detecção num determinado meio criminal, já por nós levantado que esta era uma das possibilidades".

O diretor nacional diz ainda que "dentre os países onde os mandatos de extradição europeus são válidos" a PJ tinha "a perceção que seria no sul da Europa, principalmente Espanha, França ou Itália, de que esta personagem poderia vir a ser localizada no seio de grupos criminosos que se dedicam a crimes contra a propriedade".

"E foi isso que aconteceu, portanto há uma articulação. Nós próprios, quer na reunião dos chefes de polícia que ocorreu no final de setembro, quer depois já na Assembleia Nacional de Interpol, com alguns colegas onde nós podíamos ter esta suspeita de que este indivíduo e outros possam estar, temos vindo a trabalhar afincadamente a colocar informação, as fotografias, no sentido de que conseguimos este objetivo".

Sobre a extradição de Shergili Farjiani para Portugal, Luís Neves diz apenas que "mandado de extradição europeu é mais rápido que o mandado de extradição internacional relativamente ao título que se tem em Marrocos".

Declarações um dia após a captura de Shergili Farjiani, georgiano que era um dos cinco evadidos da prisão de Vale de Judeus, em setembro, e que foi ao final da tarde desta terça-feira capturado em Itália, conforme avançou a CNN Portugal. Um trabalho realizado na sequência dos pedidos de cooperação internacional da Polícia Judiciária, e com recurso ao mandado de detenção europeu.

É, assim, o terceiro fugitivo a ser capturado - depois de Fernando Ferreira, em Trás-os-Montes, e de Fábio Loureiro, em Marrocos.

O georgiano de 40 anos, que estava a cumprir sete anos de cadeia por furto, violência e falsificação, deverá agora ser transferido para Portugal, onde cumprirá o resto da pena e responderá ainda pelo crime de evasão.

Dos cinco fugitivos, falta capturar o britânico Mark Roscaleer e o argentino Rodolfo Lohrmann.

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