Investigadores desenvolvem vacina contra tipo mais comum de cancro do pâncreas

16 jul, 19:11
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Vacina foi desenhada para combater várias mutações do gene KRAS, responsável por mais de 90% deste tipo de tumores

Um grupo de investigadores começou a testar uma vacina contra o tipo mais comum de cancro do pâncreas, o adenocarcinoma ductal pancreático (PDAC).

A vacina foi desenhada para combater várias mutações do gene KRAS, responsável por mais de 90% deste tipo de tumores, tendo sido testada em doentes de alto risco durante um novo ensaio clínico de fase um.

De acordo com o El Mundo, que cita a revista científica Cancer Discovery, os resultados apontam para uma vacina segura, que conseguiu estimular respostas imunitárias específicas, detectáveis no sangue até dois anos depois, pelo menos em 90% dos participantes no estudo.

O PDAC destaca-se por ser um tumor agressivo, muitas vezes diagnosticado já em fases avançadas. Mas há uma fatia de pessoas que apresenta logo à partida um elevado risco de o desenvolver devido a uma predisposição hereditária. Cerca de 10% dos casos deve-se a mutações patogénicas em genes específicos de suscetibilidade ao cancro, transmitidas de pais para filhos, e também surge como resposta a lesões no órgão (como a neoplasia intraepitelial pancreática e as neoplasias mucinosas papilares intraductais), pelo que dispor de uma vacina seria crucial.

“As pessoas com elevado risco devido a uma predisposição hereditária ou à presença de uma lesão pancreática preocupante detetada em exames de imagem são normalmente sujeitas a acompanhamento para monitorizar as alterações ao longo do tempo. Se existir uma preocupação suficientemente elevada de que possa ocorrer uma transformação maligna ou se for detetado um cancro em fase inicial, o tratamento padrão atual consiste na resseção cirúrgica”, explica Neeha Zaidi, professora associada de Oncologia no Centro Oncológico Integral Sidney Kimmel da Universidade Johns Hopkins e uma das responsáveis pelo estudo.

Mas mesmo com intervenção cirúrgica, a probabilidade de recorrência “pode atingir os 80% e muitas lesões precursoras do cancro do pâncreas são microscópicas e, por isso, indetetáveis através de técnicas de imagem”, salienta a especialista, sublinhando que uma abordagem preventiva e não invasiva pode ser eficaz.

A equipa de investigadores concluiu que travar o desenvolvimento do cancro através de abordagens não invasivas poderá constituir uma estratégia eficaz para prevenir o PDAC e aumentar a sobrevivência das pessoas de alto risco.

“A prevenção e a interceção precoce salvam vidas e reduzem a morbilidade associada ao desenvolvimento e à progressão do cancro. Isto é especialmente importante no caso dos cancros cuja incidência em idades mais jovens está a aumentar e para os quais não dispomos de métodos eficazes de deteção precoce”, afirma a vice-diretora daquele centro oncológico, Elizabeth Jaffee.

O terceiro autor do estudo, Michael G. Goggins, professor de Patologia, Medicina e Oncologia, não tem dúvidas de que a produção desta vacina seria “um feito muito importante”.

Os participantes receberam a vacina mKRAS-VAX através de injeções subcutâneas, seguindo uma estratégia de vacinação prime-boost, com doses nas semanas um, três e cinco e uma dose de reforço na semana nove. Este esquema de vacinação pretende ensinar o sistema imunitário a reconhecer um agente patogénico, sendo posteriormente administrada uma ou mais doses de reforço.

A produção da vacina surge para dar resposta a um crescimento contínuo da incidência deste cancro, que já é o terceiro mais mortal em Espanha. Registaram-se 9.986 casos em 2024, comparativamente aos 6.367 de há uma década, com a mortalidade nos dois sexos a seguir a mesma tendência.

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