Como tinta derramada num lago. Documento interno mostra que Facebook perdeu controlo dos nossos dados

28 abr, 17:30
Facebook (AP Photo/Jeff Chiu, File)

Documento interno escrito no final de 2021 alertava a direção da empresa para vários problemas, incluindo o facto de não conseguir garantir que "não vão utilizar o dado X para o propósito Y"

O Facebook “não tem um nível de controlo adequado sobre como os sistemas utilizam os dados” dos utilizadores. Quem o admite é a própria rede social, num documento interno que foi dado a conhecer pelo Vice. Em causa estão os dados de milhões de utilizadores por todo o mundo, o que está a fazer com que a empresa de Mark Zuckerberg não consiga lidar com as mudanças na regulação na União Europeia, Índia ou Coreia do Sul.

Empresas que utilizam dados de utilizadores como parte da sua atividade, como faz o Facebook, têm sido confrontadas nos últimos com alterações nos regulamentos, sobretudo por causa da privacidade dos utilizadores.

No documento interno, finalizado em 2021 e agora conhecido, e que é assinado pelos engenheiros de privacidade do Facebook, é explicado que os sistemas foram construídos com “fronteiras abertas” (basicamente, todos os dados estão armazenado em conjunto), através das quais os dados podem fluir “por todas as partes”. Agora, segundo informam os engenheiros à direção da empresa, o desafio passa por voltar a juntar toda a informação de novo.

Os engenheiros decidiram explicar toda a situação recorrendo a uma analogia. "Construímos sistemas com fronteiras abertas. O resultado desses sistemas e de uma cultura aberta é bem descrito com uma analogia: imaginem uma garrafa de tinta nas vossas mãos. A garrafa de tinta é uma mistura de todo o tipo de dados. Derramam essa tinta num lago... e flui... para todo o lado. Como vamos por a tinta de volta na garrafa? Como organizamos tudo de novo, para que só flua para os locais permitidos do lago?", questionam os engenheiros no documento.

Esta situação, alerta o documento, impede que a rede social adira com total confiança às mudanças de políticas pedidas por alguns países, nomeadamente aquela que exige que dados de utilizadores deixem de ser utilizados com um propósito específico.

“Não nos podemos comprometer ao dizer que não vamos utilizar o dado X para o propósito Y”, esclarecem os engenheiros, que admitem que isso é algo que os reguladores esperam que seja feito por parte da empresa.

No documento, o Facebook reconhece que está perante um problema “fundamental”, ao mesmo tempo que lida com um “tsunami” de regulamentos sobre a privacidade em todo o mundo.

Na União Europeia está em vigor, desde 2018, o Regulamento Geral da Proteção de Dados, que abrange precisamente empresas como o Facebook, e que trata de garantir a privacidade e proteção dos dados dos utilizadores nos 27 Estados-membros.

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