Von der Leyen vai em junho ao Cairo debater segurança alimentar

Agência Lusa , FMC
31 mai, 17:21
Ursula Von der Leyen (Olivier Hoslet, Pool Photo via AP)

A presidente da Comissão Europeia culpa a Rússia pela crise alimentar - não só pelo bloqueio dos portos ucranianos no Mar negro, mas também pelos bombardeamentos a armazéns e campos de cultivo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vai deslocar-se ao Cairo para debater a segurança alimentar global, prevendo “uma grave crise alimentar” devido ao bloqueio de cereais nos portos ucranianos na sequência da invasão russa.

Falando em conferência de imprensa no final do Conselho Europeu extraordinário, na quinta-feira e esta terça-feira, Von der Leyen anunciou que “em meados de junho” se vai reunir com o Presidente egípcio, Abdul Al-Sisi, para debater o problema do abastecimento de trigo ao país, muito dependente das importações da Ucrânia.

“Está em desenvolvimento uma grave crise alimentar com total responsabilidade da Rússia, por causa desta guerra brutal e inclassificável”, disse a líder do executivo comunitário, adiantando que Moscovo não se limita a bloquear os portos ucranianos no Mar Negro, mas também “bombardeia armazéns e campos aráveis”.

Por seu lado, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, salientou que a União Europeia e a União Africana têm de ver como “podem cooperar de maneira mais efetiva”.

Uma ideia partilhada por Ursula von der Leyen, que defendeu a necessidade de “ajudar a aumentar, a médio e longo prazo, a produção [agrícola] em África”.

Numa situação normal, adiantou Von der Leyen na conferência de imprensa, a Ucrânia exporta em média cinco milhões de toneladas por mês, mas atualmente não passa de 200 mil nas ‘vias verdes’, de solidariedade da UE.

Charles Michel acrescentou que o bloco apoia “todos os esforços da ONU para abrir um corredor marítimo no Mar Negro”.

No que respeita ao bloqueio russo imposto nos portos ucranianos, nomeadamente o de Odessa, os líderes europeus apelam, nas conclusões adotadas, aos Estados-membros que “acelerem o trabalho nas ‘Vias de Solidariedade’”, que poderão servir como alternativa terrestre - ainda que mais lenta e mais cara – para o escoamento dos 20 milhões de toneladas de trigo bloqueadas na Ucrânia.

A Rússia lançou a 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de quatro mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra causou a fuga de mais de oito milhões de pessoas, das quais mais de 6,6 milhões para fora do país, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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