Governo impede hospitais de publicar lista de urgências encerradas

13 jun, 19:47

Associação pede que divulgação seja feita com "a maior amplitude possível"

O Governo deu indicações aos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para não colocarem cartazes à porta das urgências a informar que estão fechadas.

A indicação, sabe a CNN Portugal, foi dada antes da apresentação do plano de saúde para o verão, que vai ser publicado esta sexta-feira no portal do SNS, mesmo depois de a ministra, Ana Paula Martins, ter dito que cabia às administrações hospitalares e à direção-executiva do SNS a apresentação do mesmo.

De resto, os hospitais foram mesmo impedidos de colocar qualquer informação relativa ao encerramento de urgências, sendo que o Ministério da Saúde justificou a decisão ao "não ver interesse para os utentes anunciar que a urgência X vai estar encerrada".

As informações que indicavam quais as urgências encerradas deixaram de estar disponíveis online, mas, na quarta-feira, a ministra da Saúde anunciou que voltariam a ser publicitadas.

A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) pediu, entretanto, a publicitação das urgências encerradas durante o verão junto dos utentes e saudou o regresso da informação ao portal do SNS.

O presidente da APAH, Xavier Barreto, afirmou que a “informação deve ser disseminada com a maior amplitude possível para poder chegar às pessoas”, mas “importa, naturalmente, normalizar essa informação e a forma como ela é passada”.

Até agora, “o que nós víamos passar muitas vezes eram avisos colados de uma forma completamente ad hoc nas portas dos serviços de urgência, com informação que nem sempre era muito fiável ou muito clara”, reconheceu o dirigente.

Alegando desconhecer qualquer comunicação interna do ministério aos hospitais, o presidente da APAH afirmou que o regresso da informação online sobre as urgências encerradas é “uma notícia muito positiva”.

“Eu acredito que o mistério pretendeu de alguma forma normalizar a comunicação, garantindo que todos os hospitais agora o ULS [Unidades Locais de Saúde] comunicam nos mesmos termos e da mesma forma”, mas “nada impede que a informação seja disseminada, por exemplo, através do ‘site’”, explicou Xavier Barreto.

“Uma das questões que se discutia já há quase uma semana era porque é que a informação tinha saído do ‘site’ e porque é que agora só podíamos obter informação através do telefone”, recordou o responsável.

No fim de semana, a ministra da saúde remeteu a responsabilidade pela elaboração do Plano de Verão sobre os constrangimentos nas urgências para os administradores hospitalares, mostrando-se disponível para “ajudar”.

“As preocupações são muito legítimas, mas o enquadramento legal do Plano de Verão relativamente aos constrangimentos das urgências, e em alturas como esta de muitos feriados com muito turismo e equipas mais diminutas, é dos nossos administradores hospitalares, pessoas nomeadas e avaliadas pela CRESAP [Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública] com competências para fazer a gestão das entidades públicas”, disse Ana Paula Martins.

“Todos os dias enviamos mais um ‘email’ com contactos para que reportem situações de constrangimento mais repentino por exemplo por doenças de médicos ou prestadores que não compareceram (…). Falamos com todos eles. Naqueles em que há mais constrangimentos estamos deste lado para ajudar não só em necessidades de contratação, mas também de reforço das equipas”, acrescentou ainda.

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