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"Hoje em dia, todos soam um pouco ao mesmo": como a IA está a mudar as aulas na universidade

CNN , Asuka Koda
3 mai, 11:00
Universidade de Coimbra (Facebook)

NOTA DO EDITOR | A autora frequenta o terceiro ano na Universidade de Yale, em New Haven, no estado norte-americano do Connecticut, e conversou com os colegas sobre a sua experiência com o uso de inteligência artificial nas aulas para a elaboração deste artigo

Nesta fase do seu último ano na Universidade de Yale, Amanda sabe que muitos dos seus colegas recorrem a chatbots de inteligência artificial para escrever trabalhos e outras tarefas académicas.

Contudo, começou a notar algo insólito nos seus seminários com turmas mais pequenas. Os colegas sentam-se atrás dos portáteis com pontos de discussão e argumentos muito bem estruturados, mas as conversas que se seguem acabam frequentemente por não ter qualquer profundidade nas várias disciplinas.

Numa das aulas, "a conversa parou e olhei para a minha esquerda, onde vi alguém a teclar furiosamente no portátil, a fazer (a um chatbot) a pergunta que o professor tinha acabado de colocar sobre o texto", recordou Amanda à CNN.

Amanda e mais duas estudantes, Jessica e Sophia, frequentam a Universidade de Yale. As três jovens pediram o anonimato por receio de represálias por parte dos colegas e professores, pelo que a CNN concordou em alterar os seus nomes neste artigo.

A estudante confessou ter ficado surpreendida. Até àquele dia, não se tinha apercebido de que os colegas estavam a usar sistemas geradores de texto nas aulas e a partilhar os resultados criados na sala. Agora, nota o impacto que essa tendência está a ter nos debates entre os universitários.

Hoje em dia, adiantou a jovem, "todos soam um pouco ao mesmo". A aluna sublinhou que, durante o primeiro ano de faculdade, sentava-se em seminários onde todos tinham algo de diferente a acrescentar e que, embora os estudantes se apoiassem nas ideias uns dos outros, "abordavam os temas de perspetivas diferentes e ofereciam comentários distintos".

À medida que a inteligência artificial se integra cada vez mais na educação, professores e investigadores constatam que esta tecnologia pode estar a corroer a capacidade dos estudantes para o pensamento e expressão originais.

Um estudo publicado em março na revista científica Trends in Cognitive Sciences revelou que os grandes modelos de linguagem estão a homogeneizar sistematicamente a expressão e o pensamento humano em três dimensões: linguagem, perspetiva e raciocínio. Tanto alunos como professores garantem estar a assistir aos efeitos desta tendência nas salas de aula.

E isso faz com que muitos estudantes pareçam ter a mesma voz.

Por que razão os alunos usam a IA nas aulas

Jessica, aluna do último ano em Yale, revelou à CNN que usa a inteligência artificial todos os dias nas aulas. Num seminário de economia onde o professor faz perguntas de surpresa aos estudantes, a jovem notou que, no início da aula, "via-se toda a gente a inserir cada um dos PDF" num chatbot.

A universitária recorre também a estas ferramentas quando tem dificuldade em transformar os seus pensamentos em palavras. Muitas vezes tem um conceito que quer comentar, mas não sabe como formular a frase sozinha, pelo que pede ao programa "para a tornar mais coesa".

Um porta-voz da Universidade de Yale explicou que os alunos "continuam a testar o uso de IA nas aulas", assegurando que a instituição está ciente das formas como a tecnologia é utilizada em contexto letivo, incluindo as descritas neste artigo.

Para apoiar a aprendizagem e o envolvimento, a mesma fonte adiantou à CNN que se assiste a uma tendência mais alargada de docentes a desenhar cadeiras com uso limitado ou nulo de portáteis, "privilegiando materiais impressos, pensamento original e interação direta com colegas e professores".

Thomas Chatterton Williams, professor convidado de humanidades e investigador principal no Centro Hannah Arendt do Bard College, tem testemunhado o impacto da decisão dos alunos em utilizarem estas ferramentas.

A dependência dos estudantes em relação à inteligência artificial elevou paradoxalmente a base de discussão nas aulas para um nível geralmente superior em disciplinas com conceitos difíceis, mas tendeu também a excluir "pensamentos mais invulgares, excêntricos e originais". A perspetiva é defendida por Williams, que é também investigador não residente no American Enterprise Institute, um grupo de reflexão focado na investigação sobre a educação.

O académico manifestou a sua maior preocupação com a possibilidade de muitos jovens brilhantes nunca virem a alcançar a sua própria voz. Na verdade, teme que um número surpreendente destes estudantes "nem sequer venha a valorizar plenamente o mérito da autoria e da posse de um ponto de vista".

Jessica admitiu ter-se tornado mais preguiçosa desde que começou a usar estes sistemas para a ajudar com as cadeiras da universidade.

A jovem refletiu sobre o quanto deixou de trabalhar, sentindo que a sua ética de trabalho "diminuiu completamente desde o ensino secundário".

Porque é que a IA faz com que as pessoas soem da mesma forma?

Os grandes modelos de linguagem são treinados para prever a palavra seguinte mais provável do ponto de vista estatístico, tendo em conta tudo o que a antecedeu. A explicação é avançada por Zhivar Sourati, aluno de doutoramento na Universidade da Califórnia do Sul e autor principal do estudo sobre o tema.

Os dados com os quais estes modelos são treinados representam de forma desproporcional as línguas e ideias dominantes, pelo que as respostas às perguntas dos utilizadores "espelham naturalmente uma fatia estreita e enviesada da experiência humana", escreveram os investigadores no seu estudo. O resultado é "um afunilamento do espaço conceptual no qual os modelos escrevem, falam e raciocinam".

A homogeneização induzida pela tecnologia ocorre em três dimensões: linguagem, perspetiva e estratégias de raciocínio, explicaram os autores. Isto acontece porque os algoritmos tendem a reproduzir o que os investigadores classificam de pontos de vista de sociedades ocidentais, escolarizadas, industrializadas, ricas e democráticas, mesmo quando recebem instruções explícitas para representar outras identidades.

Uma consequência possível, alertou Sourati, é que a linguagem e as perspetivas dominantes possam passar a ser vistas como mais credíveis e "mais corretas do ponto de vista social", marginalizando outras abordagens. Um fenómeno semelhante é observado no raciocínio, em que a técnica popular de guiar a máquina através de um pensamento lógico passo a passo pode estar a abafar formas mais intuitivas, culturalmente específicas e criativas de resolver um problema.

O investigador da Universidade da Califórnia do Sul esclareceu que, quando um conjunto de pessoas interage repetidamente com estes sistemas, a sua criatividade é "achatada em comparação com o mesmo grupo sem assistência de IA".

Este achatamento suscita preocupações nas instituições de ensino a todos os níveis.

Quando confrontados com perguntas abertas e subjetivas, sem uma resposta única e correta, os professores podiam contar com um leque variado de reações. No entanto, se todos os estudantes recorrerem a ferramentas tecnológicas, as suas respostas podem tornar-se mais polidas, mas acabam por recair num mero punhado de categorias semelhantes. Perdem assim a diversidade de pensamento que os debates nas aulas pretendem fomentar.

O grande receio de Zhivar Sourati é que a homogeneização esteja a afetar quem se encontra precisamente a desenvolver a capacidade de gerar novas ideias de forma criativa. O investigador avisa que, se os universitários continuarem a recorrer à tecnologia em vez de desenvolverem os seus próprios processos de pensamento, "nem sequer aprenderão a pensar por si próprios e a ter as suas próprias perspetivas".

Morteza Dehghani, professor de psicologia e ciências da computação na Universidade da Califórnia do Sul, partilhou que já ouviu falar de pessoas que usam os chatbots para decidir em quem votar numas eleições, algo que considera "bastante assustador".

O coautor do estudo sublinhou as consequências desta situação, vincando que, se a população perder a diversidade na forma como pensa ou cair na preguiça intelectual, "é óbvio que isso afetará profundamente a nossa sociedade".

Sophia, aluna do terceiro ano em Yale, acredita que os seus colegas de antropologia estão a usar estas plataformas para redigir guiões do que dizer nas aulas porque se sentem inseguros em relação àquilo que desconhecem.

A universitária acrescentou ainda que a criatividade está a diminuir porque "perdemos a capacidade de estabelecer ligações".

Morteza Dehghani concorda que, se as pessoas continuarem a delegar o seu raciocínio na tecnologia, as comunidades vão perder a inovação criativa e a capacidade de criticar ideias dominantes ou até mesmo candidatos políticos.

Os autores da investigação notaram que, à medida que mais pessoas usam os modelos artificiais para escrever e pensar, esses resultados são reabsorvidos pelo discurso humano e, em última análise, pelos dados usados para treinar a geração seguinte de algoritmos. Assim, a homogeneização continua a agravar-se.

O professor avisou que, ao transferirmos o nosso raciocínio para estes modelos, "podemos ser facilmente persuadidos pelo que eles nos dizem".

Na área do ensino, Dehghani revelou-se preocupado com uma geração de alunos que está a aprender e a ser tutorada por robôs de conversação. O académico defendeu que estes jovens serão mais homogéneos na forma como pensam e como escrevem, "pelo que isto terá influências a longo prazo".

As pessoas não estão a aprender a raciocinar

Sophia, que tenta resistir ao uso da tecnologia na faculdade, acredita que os colegas estão a secundarizar o seu próprio pensamento a favor da utilização de "palavras realmente caras".

A jovem confessou preferir assumir perante o professor que não sabe do que estão a falar. A aluna alertou que, mesmo que se insira todos os textos num programa inteligente, a máquina não tem "as nossas experiências passadas que fazem de nós pensadores críticos".

Amanda concordou com esta visão, recordando que antigamente as pessoas tinham muito mais a dizer porque se sentiam verdadeiramente ligadas à matéria. A estudante notou que agora as discussões nas turmas não vão ao fundo das questões, concluindo que muito disso tem a ver com os chatbots, "mas também com o facto de já não haver tanta vontade de criar uma ligação pessoal com o material de estudo".

Desiludida, a universitária acrescentou ser aborrecido estar numa aula em que toda a gente tem o mesmo a dizer e em que "ninguém quer ir mais fundo ou contrariar o que é dito diretamente no texto ou na norma".

Daniel Buck, investigador do American Enterprise Institute e antigo professor de inglês durante sete anos nos ensinos básico e secundário, mostrou-se preocupado com o facto de os alunos estarem a contornar o esforço cognitivo exigido para participarem nos debates nas aulas e concluírem os trabalhos de casa.

Para este académico, grande parte da aprendizagem acontece nos detalhes aborrecidos e na dificuldade. O investigador explicou que os jovens retêm apenas aquilo em que investiram tempo a processar de forma consciente. Assim, se um estudante delegar o pensamento numa máquina, poderá conseguir reproduzir um argumento na aula, mas não terá desenvolvido as competências subjacentes para aplicar esse conhecimento noutras situações.

Daniel Buck traçou uma distinção clara entre os novos modelos artificiais e a tecnologia de atalho que os antecedeu, uma plataforma popular de resumos literários chamada SparkNotes. O antigo docente lembrou que os professores conseguiam detetar facilmente quando os alunos recorriam a esse site para encontrar as sínteses das obras por capítulos.

A inteligência artificial é uma versão superpotente dessas plataformas antigas de resumos e é capaz de "responder a qualquer pergunta que se lhe faça", comparou o investigador. Enquanto os métodos antigos ofereciam um conjunto fixo de análises, a IA pode responder a qualquer questão colocada pelo professor, tornando muito mais difícil identificar quando não são os próprios jovens a raciocinar.

A diferença reside na forma como as pessoas pensam. Morteza Dehghani esclareceu que, em vez de ser usada apenas como referência, à semelhança dos livros ou motores de busca, esta tecnologia atua como um participante ativo na "resolução de problemas e na adoção de perspetivas".

Thomas Chatterton Williams garantiu que o que estamos a testemunhar agora é fundamentalmente diferente de outros períodos de homogeneização da expressão e do pensamento. O professor sustentou que, se até os escritores profissionais estão a ter extrema dificuldade em resistir a subcontratar a árdua tarefa de debater palavras e ideias, não vê como "as gerações mais novas, que não experienciaram um mundo anterior à escrita gerada por IA altamente sofisticada e a pedido, serão capazes de o fazer, pelo menos à escala".

Daniel Buck receia que os universitários terminem o curso sem terem construído laços com os docentes e sem o hábito de um esforço cognitivo sustentado, o que ditará dificuldades futuras na resolução de problemas no mundo real.

O antigo professor confessou o enorme prazer de ler ensaios originais feitos pelos alunos. Buck sublinhou que, mesmo quando a argumentação não é tão sólida como desejaria, é gratificante ver jovens a começar a pensar por si próprios, a analisar e a ter pensamento crítico, um processo que comparou a ver os seus próprios filhos andarem pela primeira vez, "onde tropeçam e caem, e isso é fantástico, continuem a fazê-lo".

Ler e interagir com as ideias originais dos estudantes nas aulas ajuda os professores a compreender a forma como eles pensam e se exprimem.

O académico salientou que existe uma troca interpessoal muitas vezes ignorada à medida que se vai conhecendo os alunos, eles conhecem o professor e começam a confiar na sua avaliação, lamentando que "isso também se perca quando tudo passa a ser feito através da inteligência artificial".

Como os professores contornam a IA

Sun-Joo Shin, professora de filosofia em Yale, considerou ser um grande trabalho de casa para qualquer pessoa envolvida no ensino "continuar a explorar formas de garantir que os estudantes mantêm o pensamento crítico e criativo na atual era tecnológica".

A docente admitiu vivermos uma transição interessante e entusiasmante, assumindo a vontade de que os seus alunos compreendam a matéria das aulas, o que se mantém inalterado independentemente do aparecimento destas inovações. Em simultâneo, quer que utilizem esta ferramenta fantástica a seu favor e não se tornem vítimas dela. O grande dilema de um educador, observou a professora, passa por descobrir como ajudar ou obrigar os estudantes "a aprender a matéria e a pensar criativamente, sem fugir das ferramentas tecnológicas, mas também sem as copiar".

Até ao primeiro semestre do ano letivo de 2024, Sun-Joo Shin não receava que os algoritmos afetassem a compreensão dos alunos na sua cadeira de lógica matemática. A equipa docente tinha testado as fichas de exercícios com os modelos então existentes e estes revelaram-se incapazes de resolver os problemas.

Contudo, desde então, a tecnologia tem vindo a recuperar terreno, pelo que os programas já conseguem responder "bastante bem" às perguntas quando os universitários inserem os apontamentos da disciplina e os materiais de estudo. Perante isto, a professora começou a ponderar exigências adicionais para a cadeira, muito para além da simples entrega das respostas de casa.

A académica defendeu que, afinal, "seria extremamente injusto dar boas notas a respostas dadas por inteligência artificial".

A Universidade de Yale dispõe de orientações sobre o uso destas ferramentas, tanto para alunos como para professores. Num dos sites da instituição lê-se que "o uso de IA generativa está sujeito às políticas individuais de cada disciplina". A faculdade encoraja os docentes a adaptarem as diretrizes modelo aos seus objetivos de ensino, advertindo que "as ferramentas de deteção de IA não são fiáveis e não têm, neste momento, qualquer suporte".

A universidade faculta políticas padrão para diferentes tipos de aulas, como seminários de escrita criativa ou aulas teóricas médias nas áreas das ciências. Estas orientações vão desde o desencorajamento do uso, com regras explícitas sobre quando a IA não pode ser ativada, à permissão do seu manuseamento apenas como fonte de ideias. Incluem também a possibilidade de se incentivar o uso da tecnologia na pesquisa de trabalhos, sendo, no entanto, expressamente proibida a entrega de textos gerados de forma integral por chatbots.

Daniel Buck alerta que qualquer tarefa enviada para casa não pode ser garantida como autoria exclusiva do jovem. Para contornar as manhas dos estudantes, os educadores estão a regressar à leitura de textos em voz alta na sala de aula, aos ensaios manuscritos e a pedido, bem como "às avaliações com papel e caneta".

A verificação de conhecimentos na aula surge frequentemente sob a forma de testes surpresa. O investigador ilustrou que um estudante que tenha pedido a um programa um resumo de um livro, em vez de o ler na íntegra, poderá captar as linhas gerais, mas há uma forte probabilidade de um detalhe específico exigido no teste não constar dessa síntese.

O responsável indicou que quem tiver lido o texto achará o teste facílimo, acrescentando que, se não o fez, "não haverá forma de conseguir disfarçar a lacuna".

A professora Sun-Joo Shin tomou medidas drásticas, implementando "uma mudança bastante significativa" nas exigências das suas duas turmas de lógica. Embora mantenha os conjuntos de exercícios nas aulas, reduziu o seu peso nas notas finais. Atualmente, estas fichas são avaliadas apenas com base na sua conclusão, sendo facultada aos jovens uma avaliação de desempenho em vez de uma nota numérica.

Utilizando os testes realizados em casa como um banco de perguntas, a docente passou a realizar duas provas intercalares e um exame final, sempre de forma presencial. A professora especificou que algumas questões são retiradas dos exercícios anteriores, outras sofrem ligeiras modificações, "havendo ainda perguntas que exigem a deteção do erro numa prova ou o preenchimento de lacunas em exercícios que já resolveram noutras aulas".

Na sua cadeira de computabilidade e lógica, a responsável explicou aplicar testes orais e individualizados há vários anos, bem como uma exigência de apresentações perante a turma muito antes da era das tecnologias generativas, um método que se tem "revelado muito positivo". Agora, os exames, provas orais e exposições teóricas têm um peso vincadamente superior na nota final, em detrimento dos trabalhos de casa.

O professor Thomas Chatterton Williams chegou a um ponto semelhante através de um percurso diferente. Decidiu transferir todos os trabalhos de redação para o espaço da sala de aula, tornando-os exercícios espontâneos. No final do semestre, avalia as turmas através de exames orais.

Através de email, o docente confessou não poder dar aos alunos qualquer tarefa de escrita com a confiança necessária sem os ver a passar as ideias para o papel à mão, na sua própria presença. O académico encara esta realidade como uma perda terrível, mas estritamente necessária, concluindo que "a tentação e a disponibilidade da tecnologia são demasiado grandes".

Uma interferência na educação dos outros

Embora os docentes consigam limitar o papel da máquina nas avaliações, é igualmente importante que os universitários tenham a intenção e a vontade de reduzir a sua dependência tecnológica enquanto aprendem, até porque essa atitude afeta a formação dos restantes colegas.

A estudante Amanda descreveu o cenário como frustrante porque, embora tente afastar-se deste tipo de plataformas, confessou não poder "impedir que os outros as usem". A universitária salientou que o facto de os restantes as utilizarem afeta também a sua educação, retirando "o valor das duas horas do meu seminário".

Basil Ghezzi, aluna do primeiro ano do Bard College que evita ativamente o recurso a ferramentas tecnológicas nos seus estudos, receia sobretudo os custos ambientais associados ao uso destes modelos. Em alternativa, a jovem encoraja a procura de apoio nos recursos vivos que já os rodeiam.

A universitária apelou aos colegas para que falem com os tutores, conversem com os professores e procurem as pessoas à sua volta, incentivando-os a terem "conversas significativas com as pessoas na sua vida".

Ainda assim, nem toda a gente tem uma abordagem de tudo ou nada em relação a estes sistemas. Morteza Dehghani revelou que escreve em tópicos para captar ideias da sua autoria e, de seguida, pede à máquina que encontre falhas no seu trabalho.

O professor espera que mais empresas invistam em sistemas capazes de gerar variedade e de refletir a pluralidade de pensamento da sociedade atual. Por agora, no entanto, Dehghani sugere que as pessoas resistam a usar a inteligência artificial na geração e ideação de raciocínios.

O investigador da Universidade da Califórnia do Sul deixou um aviso claro sobre o tema. Na sua ótica, os modelos artificiais devem assumir-se como meros colaboradores e "não devem ser agentes que fazem tudo em nosso nome".

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