Suspeitas de corrupção incidem na relação do setor com instituições públicas
A Polícia Judiciária, o Ministério Público do Porto e a Procuradoria Europeia têm esta manhã em marcha uma das maiores operações do ano de combate à corrupção e à fraude na obtenção de subsídio, mais concretamente de fundos do PRR, com mais de 300 inspetores na rua em buscas e para a detenção de responsáveis de empresas privadas, pela venda, e de dirigentes de instituições do Estado, pela aquisição, de sistemas informáticos num esquema que terá lesado o erário público e a União Europeia em largas dezenas de milhões de euros, sabe a CNN Portugal. Entre os principais alvos estão altos quadros da Universidade do Porto.
A operação incide no norte, onde a investigação teve início, mas também na grande Lisboa - onde estão sedeados os polos industriais que vendem serviços de software e de hardware informático para organismos públicos e empresas privadas de todo o país.
As suspeitas de corrupção incidem na relação do setor com instituições públicas - nomeadamente a Universidade do Porto, em determinados departamentos - na viciação das regras da contração pública para a aquisição de sistemas informáticos a determinadas empresas a troco de subornos.
A fraude com fundos comunitários - do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) - prende-se com a forma como empresas privadas acedem a verbas dos mesmos fundos simulando a aquisição de sistemas informáticos por determinados valores, que são, no entanto, artificialmente inflacionados com a cumplicidade das empresas vendedoras dos serviços. O que leva, também, às suspeitas de crimes de falsificação de documentos, entre outros - como branqueamento de capitais ou fraude fiscal qualificada.
Em comunicado, a Universidade do Porto confirma as buscas e diz estar a colaborar com as autoridades.
"A Universidade do Porto recebeu hoje uma equipa de inspetores da Polícia Judiciária, a qual se encontra a recolher informação no âmbito da investigação de um processo de cartelização relacionado com a aquisição de material informático, do qual a U. Porto estaria a ser vítima. A referida investigação terá sido iniciada pela Procuradoria Europeia e envolverá a realização de buscas em todo o pais, junto de várias entidades públicas e privadas. A Universidade do Porto está a colaborar ativamente com o trabalho das autoridades e absolutamente empenhada no total esclarecimento de todos os factos relacionados com este processo, admitindo constituir-se como assistente no processo caso venham a ser deduzidas acusações contra algum dos seus funcionários", lê-se na nota.