As aranhas foram descobertas por uma equipa de especialistas liderada por Pedro Cardoso, investigador da Ciências ULisboa e do Centro de Ecologia
Uma aranha do género que inspirou a personagem do Homem-Aranha está entre seis novas espécies deste tipo de aracnídeo descobertas no Alentejo e em estudo laboratorial, revelou a Universidade de Lisboa.
Em comunicado, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) refere que embora as aranhas descobertas na zona de Grândola, “até hoje desconhecidas para o mundo científico”, ainda não tenham sido batizadas, “os especialistas já conseguem indicar os géneros em que se incluem estas espécies”.
E uma das encontradas na Herdade da Ribeira Abaixo é do género 'Scytodes' e tem “o traço distintivo de cuspir teia com veneno para aprisionar as presas”, sendo do grupo da “aranha que serviu de inspiração para a história do Homem-Aranha”, o super-herói da Marvel Comics criado por Stan Lee e Steve Ditko em 1962.
Das restantes, “duas das espécies pertencem ao género 'Dysdera' (que inclui as aranhas-de-tenaz que se alimentam de bichos-de-conta); outras duas pertencem ao género 'Harpactea' (mais pequenas, escuras e elegantes que as do género Dysdera)” e “há uma espécie classificada dentro do género 'Pelecopsis' (são típicas caçadoras furtivas)”, adianta o comunicado.
As aranhas foram descobertas por uma equipa de especialistas liderada por Pedro Cardoso, investigador da Ciências ULisboa e do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), que entre 2024 e 2025 realizou trabalho de campo na estação da referida herdade, ligada à faculdade.
De acordo com o comunicado, a estação possui “uma enorme riqueza de fauna e flora” e “os locais de amostragem estão equipados com sensores para medição de temperatura e humidade do solo e ainda armadilhas que permitem a captura de animais de diferentes espécies para estudo científico”.
Agora, em laboratório, Pedro Cardoso trabalha com Miguel Sousa, investigador do CE3C e aluno de Mestrado em Biologia da Conservação na faculdade de Ciências, no processo de descrição científica das espécies descobertas.
“Vai exigir tempo para medições pormenorizadas, desenhos científicos e comparações com outras espécies ou artigos da especialidade”, explica Pedro Cardoso, citado no comunicado, que assinala tratar-se de “um trabalho minucioso e ao microscópio”.
Os investigadores já registaram algumas diferenças entre as aranhas agora descobertas - com tamanhos que oscilam entre dois ou três milímetros e um máximo de 10 a 15 milímetros - relacionadas com “a disposição dos olhos, as fieiras (orgãos que produzem teias) ou as características das pernas”.
“Quando comecei a analisar cada uma das seis espécies de aranhas não conseguia encontrar nada parecido na literatura taxonómica. Com o tempo fui falando com outros investigadores e percebi que estava perante espécies novas”, revela Miguel Sousa, citado no comunicado.
Segundo os cientistas, a Serra de Grândola "poderá ter funcionado, ao longo do tempo, como uma ilha isolada que levou determinadas espécies a evoluírem de forma diferente de outras com origem comum”, tornando o local “particularmente único para a investigação científica”.