Migrações: Governo britânico não quer mais tragédias “nas águas geladas, nos meses de inverno”

Agência Lusa
28 nov 2021, 12:11
Canal da Mancha

Ministra do Interior, Priti Patel, afirmou que “continuará a pressionar” para ter a colaboração da União Europeia

O Governo britânico garantiu hoje que vai exigir “mais cooperação” aos países europeus, de modo a evitar “acontecimentos piores” que os verificados no Canal da Mancha, onde naufragou um barco com migrantes, provocando a morte de 27 pessoas.

Em comunicado, a ministra do Interior, Priti Patel, afirmou que “continuará a pressionar” para ter a colaboração da União Europeia (UE), tendo em vista evitar mais tragédias “nas águas geladas, nos meses de inverno”.

Priti Patel não vai estar presente na reunião sobre migrações, que decorre hoje, em França, com os seus congéneres europeus, depois de Paris ter cancelado o convite dirigido à homóloga britânica. Em causa está a divulgação de uma carta, pelo primeiro-ministro Boris Johnson, dirigida ao presidente francês, pedindo aos franceses que aceitassem de volta os migrantes que chegaram ilegalmente ao Reino Unido.

“Tenho dito, constantemente, que não existem soluções rápidas, nem balas de prata. O Reino Unido não pode resolver este assunto sozinho e, em toda a Europa, devemos dar um passo em frente, assumir responsabilidades e trabalhar juntos em tempos de crise”, afirmou Patel.

A governante vincou ainda que não vai fugir a este desafio, adiantando que, durante a próxima semana, continuará a efetuar contactos com os seus homólogos da UE.

As travessias do Canal da Mancha por migrantes até Inglaterra são um tema de tensão regular entre Paris e Londres, com as autoridades britânicas a acusar os franceses de esforços insuficientes para os impedir de embarcar, apesar de contribuírem com ajuda financeira.

Na carta ao Presidente francês, Emmanuel Macron, Boris Johnson expôs em cinco pontos um plano para combater as travessias de migrantes ilegais, nomeadamente patrulhas conjuntas para evitar que mais barcos saiam das praias francesas, o uso de tecnologia como sensores e radares, patrulhas marítimas recíprocas nas águas territoriais de cada país, vigilância aérea e partilha de informações.

Numa mensagem a Priti Patel à qual a agência France-Presse teve acesso, o ministro do Interior francês, Gerald Darmanin, considerou que, se a carta do primeiro-ministro britânico é uma “desilusão", o facto de ter sido tornada pública é "pior" ainda. Como resultado, cancelou o convite a Patel para a reunião em Calais, no norte de França, com os ministros belgas, alemães e holandeses responsáveis pela Imigração, bem como com a Comissão Europeia.

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