Numa primeira reação, Costa referiu que “enquanto uns levantam barreiras” os dois blocos fazem “pontes”. Acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul
O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul foi este sábado assinado na capital do Paraguai, criando assim a maior zona de livre-comércio do mundo após 25 anos de negociação.
Perante a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, o acordo foi assinado pelos responsáveis dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e pelo comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič.
O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares (19 biliões de euros), segundo dados da Comissão Europeia.
Numa primeira reação, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu que “enquanto uns levantam barreiras” a União Europeia e o Mercosul fazem “pontes” através do acordo comercial que está prestes a ser assinado.
“Enquanto uns levantam barreiras e outros violam as regras de concorrência leal, nós fazemos pontes e concordamos com as regras”, sublinhou o ex-primeiro-ministro português, em Assunção, capital do Paraguai, perante os representantes do bloco do Mercosul.
António Costa afirmou que a União Europeia acredita "no comércio justo como força geradora de prosperidade, emprego e estabilidade”.
Segundo António Costa, o acordo “vai ajudar ambos os blocos a navegar um entorno geopolítico cada vez mais turbulento”.
Isto sem “renunciar” os valores dos dois blocos, sublinhou.
António Costa agradeceu ainda enorme trabalho dos negociadores ao longo destes mais de 25 anos.
Por outro lado, o Presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que a assinatura do acordo demonstra que o diálogo, a fraternidade e a integração são “o caminho” e que este é um passo que deixa para trás “as trevas do unilateralismo”.
“Sejam bem-vindos, então, a este berço da integração para testemunhar um acontecimento, sem dúvida, histórico: a assinatura de um acordo que mostra que o caminho do diálogo, da cooperação e da fraternidade é o único caminho”, disse Peña no seu discurso como anfitrião da cerimónia de assinatura, exercendo o seu país a presidência semestral do Mercosul, integrado pelo Paraguai, Argentina, Brasil e Uruguai.
Destacou ainda que, num cenário global marcado por “tensões”, a assinatura do acordo “envia um sinal claro a favor do comércio internacional como fator de cooperação e de crescimento”.