Portugal perdeu 6,75% de funcionários na União Europeia e a queda pode ser ainda maior

4 jan, 07:53
União Europeia

REVISTA DE IMPRENSA. Com 775 funcionários num universo de 32.169 trabalhadores, Portugal estava, a 1 de janeiro de 2022, em 10.º lugar na lista de 27 Estados-membros da União Europeia

Apesar de Portugal ter muitos emigrantes a trabalhar noutros países da União Europeia (UE), não deixa de ser um dos países mais sub-representados nos postos de trabalho das instituições europeias face aos restantes Estados-membros. De acordo com dados fornecidos pela Comissão Europeia ao Público, a 1 de janeiro de 2022, a taxa de representação de Portugal nesta entidade era de 2,4%, embora a taxa de referência estabelecida para o país seja de 3,1%.

É importante realçar que a Comissão Europeia emprega 80% dos funcionários da UE. Com 775 funcionários num universo de 32.169 trabalhadores, Portugal estava, à data, em 10.º lugar na lista de 27 Estados-membros da UE. Acima ficavam Bélgica, Itália, França, Espanha, Alemanha, Polónia, Roménia, Grécia e Hungria, por esta ordem.​ A 30 de Junho de junho do ano passado, Portugal não passava dos 2,3%.

Ao que o Público apurou, a tendência não deverá inverter-se. O número de portugueses na Comissão tem vindo a diminuir nos últimos anos. Entre 2018 e 2022 desceu 6,75%. Grande parte (40%) dos trabalhadores tem vínculos temporários e acresce que Portugal é um dos oito países da UE com mais reformas previstas até 2026.

Para responder ao problema, o Governo lançou uma Estratégia Nacional para as Carreiras Europeias, no seguimento de um repto da Comissão Europeia feito em Abril do ano passado, para que os Estados-membros criem planos de ação a fim de se reforçar o equilíbrio geográfico do pessoal. A estratégia foi aprovada em Conselho de Ministros a 30 de Novembro e publicada em Diário da República a 23 de Dezembro.

O documento explica que o objetivo passa por "garantir uma representação equitativa, equilibrada e sustentada do nosso país" na UE, mas também aumentar a "nossa influência na construção europeia e nos processos de decisão ao nível internacional". 

Sobretudo dirigida à Comissão Europeia, a estratégia centra-se também no Parlamento Europeu, no Secretariado-Geral do Conselho ou no Serviço Europeu de Acção Externa, mas é na instituição de Ursula von der Leyen que o desequilíbrio é mais "significativo" e preocupante, visto tratar-se da "instituição com o direito de iniciativa legislativa", assume o Governo.

Além das bases, a sub-representação de Portugal verifica-se também em lugares de topo. Embora nessa faixa a taxa seja de 2,5%, Portugal não tem um único dirigente na UE, ou seja, um único diretor-geral ou adjunto, quando devia ter no mínimo dois. Já o número de chefes de unidade desceu 39% de 2018 para 2022: eram 41 e são agora 25.

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