Frontex encobriu devoluções ilegais de migrantes pagas com dinheiro dos contribuintes da UE

28 jul, 17:23
Crise migratória em Ceuta

Relatório de um organismo europeu revela que a direção da agência não permitiu qualquer investigação aos episódios

A Frontex, agência para o controlo das fronteiras externas da União Europeia, encobriu e mentiu acerca das devoluções ilegais de migrantes pagas com dinheiro dos contribuintes europeus, segundo um relatório obtido pela revista Der Spiegel.

Segundo o documento, elaborado pelo Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF) e apresentado a 15 de fevereiro, Fabrice Leggeri, líder da organização de 2015 até ao final de abril, altura em que se demitiu, ocultou as devoluções ilegais, chamadas pushbacks, traduzido livremente para “empurrões”, que consistem em forçar as embarcações com migrantes para o local de origem quando estas já se encontram em águas da União Europeia.

“Em vez de impedir os ‘pushbacks’, Leggeri e os seus homens deram cobertura à Grécia, mentiram descaradamente ao Parlamento da UE, e esconderam o facto de a agência estar a financiar ‘pushbacks’ com dinheiro dos contribuintes europeus”, escreveu no Twitter Giorgos Christides, um dos jornalistas que assinou a peça da publicação alemã.

A revista Der Spiegel cita um dos exemplos dados no relatório, datado de 5 de agosto de 2020, quando um bote com 30 migrantes foi visto a ser rebocado por uma aeronave da Frontex de águas territoriais gregas em direção à Turquia.

A resposta da organização a este incidente foi retirar a sua aeronave de vigilância do local “para evitar que a Frontex fosse testemunha” de acordo com uma nota de novembro de 2020 apreendida pelo OLAF nos escritórios da agência em Varsóvia.

"Com base nas fotografias e informação que tínhamos e nas imagens que vimos, era crença comum dentro da Agência que estávamos a ser confrontados com ‘pushbacks’, mas a direção queria encobrir e não permitir que uma investigação", afirma um oficial da Frontex citado no relatório.

De acordo com a Der Spiegel, o OLAF deu ainda conta de seis casos em que estas devoluções ilegais foram financiadas com dinheiro dos contribuintes europeus. No Twitter, Christides mencionou também que a líder interina da Frontex, a letã Alija Kalnaja, admitiu publicamente que ainda não leu o relatório.

“O relatório é também uma acusação contra o governo grego, que ainda afirma estar a fazer a cumprir todas as leis e culpa as denúncias de violações em más ONG’s, meios de comunicação social de esquerda e propaganda turca”, escreveu Christides.

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