Covid-19: OMS apela a união mundial para melhor combater futuras pandemias

Agência Lusa , JGR
29 nov 2021, 21:05
Tedros Adhanom Ghebreyesus
Tedros Adhanom Ghebreyesus

A proposta de um instrumento internacional vinculativo - apoiada pelo diretor-geral da OMS - tinha sido apresentada no final de março e apoiada por líderes de países dos cinco continentes, incluindo o Presidente francês Emmanuel Macron, a Chanceler alemã Angela Merkel.

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) apelou esta segunda-feira à união da comunidade internacional para tentar reforçar a sua capacidade de combater a próxima pandemia, e assim evitar o caos que a covid-19 criou.

"Tudo isto se reproduzirá a menos que vocês, as nações do mundo, se unam para dizer a uma só voz: nunca mais", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na abertura de uma reunião extraordinária da Assembleia Mundial da Saúde - o órgão supremo de tomada de decisões da OMS, que junta os seus 194 membros.

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Num artigo publicado no domingo no “Project Syndicate” (publicação online de artigos de opinião), o responsável já tinha apelado aos países para tomarem medidas para lidar com futuras epidemias, "cooperando e colaborando" e evitando o "caos e confusão que exacerbaram" a atual pandemia.

A reunião de três dias em Genebra é a segunda sessão especial da Assembleia Mundial da Saúde. A primeira foi em 2006, após a morte do então chefe da OMS, Lee Jong-wook da Coreia do Sul.

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No final da reunião, os membros da OMS, que concordaram no domingo em lançar negociações para criar um instrumento internacional para melhor prevenir e combater as pandemias, terão de validar formalmente este mandato de negociação.

Uma vez iniciado o processo, terão de decidir se o instrumento será vinculativo - como um tratado - ou não.

"O nosso sentimento é que uma grande parte dos Estados, incluindo a China e a Rússia, concorda com a ideia de um tratado", disse uma fonte diplomática francesa citada pela AFP.

Os Estados Unidos, por outro lado, têm mostrado até agora uma certa relutância em relação a um quadro jurídico vinculativo. O secretário de Saúde dos EUA, Xavier Becerra, disse esta segunda-feira que o seu país apoiava "o desenvolvimento de uma convenção da OMS ou algum outro tipo de instrumento internacional", sem precisar.

A proposta de um instrumento internacional vinculativo - apoiada pelo diretor-geral da OMS - tinha sido apresentada no final de março e apoiada por líderes de países dos cinco continentes, incluindo o Presidente francês Emmanuel Macron, a Chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, o Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa e o Presidente chileno Sebastián Pinera.

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"Hoje, espero que façamos história. A situação no mundo exige-o", disse no início dos debates o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

A reunião da OMS, em formato híbrido, realiza-se num contexto de preocupação mundial, poucos dias após a descoberta de uma nova variante do coronavirus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, denominada Ómicron e cujo perigo e transmissibilidade anda não são totalmente conhecidos.

A gestão da covid-19 mostrou os limites da OMS em termos de meios e do que pode fazer legalmente, com Tedros Adhanom Ghebreyesus a reclamar um reforço da OMS face aos Estados.

O projeto de documento acordado informalmente no domingo pelos membros da OMS prevê num primeiro momento a criação de um "organismo intergovernamental" para elaborar e negociar "uma convenção, acordo ou outro instrumento internacional da OMS sobre prevenção, preparação e resposta a pandemias".

É esperado um relatório intercalar em maio de 2023, e conclusões finais em maio de 2024.

A covid-19 provocou pelo menos 5.197.718 mortos mortes em todo o mundo, entre mais de 260,81 milhões infeções pelo novo coronavírus registadas desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da AFP (agência France-Presse).

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Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.430 pessoas e foram contabilizados 1.144.342 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron foi recentemente detetada na África do Sul e, segundo a Organização Mundial da Saúde, o “elevado número de mutações” pode implicar uma maior infecciosidade.

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