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Sonho canadiano na União Europeia? "É uma honra" impossível de acontecer

13 mar 2025, 18:24
União Europeia (AP Photo)

A União Europeia diz sentir-se "honrada" com os resultados de uma sondagem que revelam o interesse dos canadianos numa adesão ao bloco, mas adianta que apenas os países europeus o podem fazer. Sugere, contudo, unir forças no combate às tarifas de Trump

A União Europeia reagiu com satisfação aos resultados de uma sondagem que revelou o interesse dos canadianos em aderir à União Europeia, mas foi rápida a esclarecer que tal ideia é, na prática, inviável.

De acordo com o jornal Politico, um estudo da Abacus Data, realizado no final de fevereiro, mostrou que 44% dos inquiridos acreditam que o Canadá deveria juntar-se à UE, enquanto 34% rejeitam essa possibilidade. O apoio geral à adesão é ligeiramente superior, com 46% dos participantes a manifestarem-se favoráveis.

Os dados não passaram despercebidos em Bruxelas. “É uma honra ver os resultados desta sondagem. Demonstra a atratividade da União Europeia e o apreço de uma grande parte dos cidadãos canadianos pela UE e pelos seus valores”, afirmou Paula Pinho, porta-voz de Ursula von der Leyen, na conferência de imprensa semanal da Comissão. Mas a responsável não se alongou sobre uma eventual candidatura de Ottawa.

Confrontada mais tarde com o tema, o mesmo jornal adianta que Paula Pinho acabou por esclarecer: o Artigo 49º do Tratado da União Europeia estipula que apenas os países europeus podem candidatar-se à adesão.

Apesar do obstáculo jurídico, a sondagem reflete uma mudança de perceção no Canadá em relação à União Europeia. Cerca de 68% dos inquiridos disseram ter uma opinião positiva sobre a UE - um número que contrasta com os 34% que dizem o mesmo sobre os Estados Unidos.

Washington continua a ser visto como o parceiro internacional mais importante do Canadá, mas a tendência parece estar a evoluir. Um número crescente de canadianos acredita que, nos próximos três a cinco anos, a UE poderá ultrapassar os EUA como principal aliado global de Ottawa.

A mudança de perspetiva surge num momento de crescente tensão entre os dois vizinhos norte-americanos. Desde que regressou à Casa Branca, no início do ano, Donald Trump tem insistido na ideia de fazer do Canadá o 51.º estado dos EUA, ao mesmo tempo que impõe tarifas sobre produtos canadianos, alimentando tensões comerciais.

Do lado de Ottawa, a prioridade tem sido reforçar a cooperação com Bruxelas, sobretudo na área do comércio. Na última quarta-feira, à margem do encontro do G7 em Charlevoix, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Mélanie Joly, garantiu que alinhar a posição do Canadá com a da Europa nas tarifas retaliatórias aos EUA será um dos seus focos.

“Em cada reunião, vou levantar a questão das tarifas para coordenar a nossa resposta com os europeus e exercer pressão sobre os americanos”, assegurou Joly.

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