Um bunker à prova de espiões para 100 pessoas. Bruxelas prepara um espaço secreto de alta segurança

9 ago, 20:42
Ursula von der Leyen

Memorando indica que só funcionários e líderes com o máximo nível de acesso podem lá entrar e explica que o espaço pode acolher cerca de 100 pessoas. Plano faz parte da estratégia de Bruxelas para reforçar a segurança e a resiliência das suas instituições, entidades e agências

A União Europeia está a construir um ‘bunker’ de segurança no valor de 8 milhões de euros em Bruxelas. O espaço vai ser usado para discussões entre os líderes europeus em segurança e longe dos olhares e ouvidos de espiões, segundo um memorando que descreve o projeto.

Esta câmara de segurança vai poder acolher cerca de 100 pessoas - até 34 líderes e 34 assistentes, bem como o pessoal protocolar, técnico e de restauração. Este espaço vai também ser utilizado para reuniões de nível inferior por embaixadores e altos funcionários da União.

Qualquer pessoa que entre no espaço, mesmo que seja um empregado de limpeza, precisa de ter uma autorização de segurança "Secret EU" e uma razão “absolutamente necessária” para lá estar. A Secret EU é o segundo nível mais alto de classificação do bloco, atrás do nível Top Secret que abrange informações e materiais sensíveis cuja publicação pode “prejudicar gravemente” os interesses comunitários e de Estados-Membros em particular.

Para além disto, os líderes e staff da União Europeia vão ter de deixar os seus telefones, computadores portáteis, relógios inteligentes, porta-chaves electrónicos e até aparelhos auditivos em cacifos à prova de som fora do bunker.

Em termos técnicos, o espaço vai estar permanentemente offline, mas equipado com tecnologia de conferência interna de grande ecrã e microfones ligados a cabines disponíveis para serem utilizados por cerca de 30 intérpretes.

Tanto a sala de reuniões como as cabines vão ser encerradas por uma gaiola de isolamento certificada pela NATO com o objetivo de "atenuar o risco de exploração de emanações comprometedoras" - ondas electromagnéticas e de rádio geradas por ecrãs e fios informáticos, que podem ser interceptadas remotamente.

O plano, segundo o memorando avançado pelo jornal EU Observer, é que as instalações sejam construídas até 2024 no complexo do Conselho da UE em Bruxelas, mas a localização exata ainda não foi decidida.

A notícia surge depois de, nos últimos meses, altos funcionários da União Europeia e chefes de governo terem sido vítimas de uma série de ataques informáticos, nomeadamente envolvendo spyware tal como o software Pegasus de fabrico israelita que foi encontrado em telefones do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.

Por causa disso, o bunker vai ser varrido "antes e depois das reuniões para detetar, localizar e neutralizar qualquer dispositivo de escuta", segundo o memorando que acrescenta que vai existir um "nível adequado de conforto para VIPs (mobiliário, cadeiras, etc.) e com decoro apropriado fixo (por exemplo, bandeiras, mas sem flores ou outros artigos frequentemente substituíveis)".

De acordo com um funcionário de Bruxelas, que não quis ser nomeado, o plano para este espaço de alta segurança faz "parte de esforços mais amplos para reforçar a segurança e a resiliência das instituições, entidades e agências da UE, em conformidade com os apelos reiterados dos estados membros para ter em conta as crescentes ameaças à segurança".  "Nesta fase, várias opções permanecem disponíveis, e ainda é necessário realizar consultas", disse o funcionário. 

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