UNESCO entrega prémio de liberdade de imprensa a jornalistas palestinianos em Gaza

Agência Lusa , AM
3 mai, 06:40
Jornalismo

Este ano, o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa está dedicado à importância do jornalismo e à liberdade de expressão, no contexto da atual crise ecológica mundial

O Prémio Mundial para a Liberdade de Imprensa da UNESCO foi atribuído a todos os jornalistas palestinianos que cobrem Gaza, onde decorre há seis meses uma ofensiva israelita em retaliação a um ataque do Hamas contra Israel.

“Nestes tempos de escuridão e desordem, desejamos enviar uma forte mensagem de solidariedade e reconhecimento aos jornalistas palestinianos que cobrem esta crise em circunstâncias dramáticas”, frisou Mauricio Weibel, presidente do júri internacional de profissionais da comunicação social.

“A humanidade tem uma dívida imensa para com eles, pela sua coragem e pelo seu compromisso com a liberdade de expressão”, acrescentou, citado num comunicado de imprensa.

Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, a organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura, sublinhou, por sua vez, a “importância da mobilização coletiva para que os jornalistas, em todo o mundo, possam continuar a realizar o seu trabalho essencial de informação e investigação”.

Também a Amnistia Internacional (AI) destacou que a atividade jornalística continua a ser “um verdadeiro ato de coragem” em muitas partes do mundo, recordando os profissionais que foram vítimas da guerra na Faixa de Gaza.

A propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala na sexta-feira, a AI apelou em comunicado para que “a liberdade para informar vença sempre os ataques a que está sujeita”, frisando “o papel crucial” dos jornalistas, mas também ”os perigos que ainda enfrentam a nível global”.

No comunicado, a AI lembra os profissionais que foram vítimas em mais de seis meses da guerra entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas na Faixa de Gaza, citando números do Comité para a Proteção dos Jornalistas, que dão conta de 97 mortos desde 07 de outubro.

Deste total, 92 eram palestinianos, dois israelitas e três libaneses, segundo o Comité, que nota que, “nos últimos 30 anos, nenhuma outra guerra tirou a vida a tantos jornalistas em tão curto espaço de tempo”.

Àquele número, somam-se pelo menos 45 jornalistas palestinianos detidos sob custódia de Israel, dos quais 23 se encontram em detenção administrativa e outros estão desaparecidos, de acordo com a Addameer, uma associação de apoio aos prisioneiros com sede em Ramallah.

É difícil obter informações em primeira mão sobre o que se passa na Faixa de Gaza, uma vez que Israel impediu a imprensa internacional de entrar no enclave palestiniano desde o início da guerra, há seis meses.

A 07 de outubro, um ataque sem precedentes do Hamas em Israel causou cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns, segundo as autoridades israelitas, que responderam com uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza.

A operação israelita provocou cerca de 34.600 mortos e a destruição de muitas infraestruturas em Gaza, de acordo com dados atualizados hoje pelo governo do Hamas.

Mais de 40 jornalistas mortos nos últimos 15 anos

Um total de 44 jornalistas que informavam sobre temas ambientais foram assassinados no mundo nos últimos 15 anos, e pelo menos outros 24 sobreviveram a tentativas de assassínio.

A informação foi avançada na quinta-feira pela agência das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Destes crimes, apenas cinco tiveram condenação judicial, segundo a UNESCO, que redigiu o relatório juntamente com a Federação Internacional de Jornalistas, no quadro do Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, que se assinala em 03 de maio.

O organismo internacional também revelou que pelo menos 749 jornalistas e meios de comunicação dedicados ao ambiente foram alvos de agressões em 89 países, desde 2009, e que 300 dessas agressões ocorreram, nos últimos cinco anos.

“Estes jornalistas e meios cobriam um leque amplo de casos, desde as causas das alterações climáticas, a mineração ilegal, a desflorestação e os combustíveis fósseis, até questões que afetam especificamente as comunidades em que se integram, como a agroindústria, a apropriação de terras, os megaprojetos de infraestruturas e as consequências dos fenómenos meteorológicos extremos", indicou-se no documento.

Pelo menos, metade das 749 agressões foram praticadas por agentes estatais, como polícias, militares, funcionários e contratados pelos governos, com os agentes privados, como empresas da indústria extrativa ou grupos criminosos, responsáveis por uma quarta parte.

Este ano, o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa está dedicado à importância do jornalismo e à liberdade de expressão, no contexto da atual crise ecológica mundial.

Além do documento sobre agressões e assassínios de jornalistas, a UNESCO divulgou ainda um inquérito a 905 jornalistas de 129 países, no qual 70% disseram já ter sido “objeto de pressões, ameaças ou pressões, enquanto cobriam assuntos ambientais”.

A investigação mostrou ainda que mais de dois terços dos inquiridos consideram que a distorção da informação e as mentiras relacionadas com as alterações climáticas aumentou nos últimos anos e que o jornalismo não está a fazer o suficiente para contrariar a tendência.

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