Presidente da Guiné-Bissau quer comprar fragatas e helicópteros russos

Agência Lusa , AM
26 out, 06:17
Umaro Sissoco Embaló - ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau

Vladimir Putin diz que material russo pode ajudar o país africano a combater a pirataria

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, demonstrou interesse em adquirir fragatas e helicópteros à Rússia, que, segundo o homólogo russo, Vladimir Putin, pode ajudar o país africano a combater a pirataria.

Segundo a agência noticiosa russa Sputnik, Sissoco Embaló disse, durante um encontro com Putin no Kremlin, a sede do Governo russo, em Moscovo, na terça-feira, que a Guiné-Bissau quer comprar fragatas russas para a sua marinha.

“Talvez a Rússia nos possa disponibilizar tais navios e depois ver como pagar pela aquisição destas fragatas. Podemos também encomendar helicópteros. Vamos estudar como os dois lados podem acertar as contas”, disse Sissoco Embaló.

De acordo com a Sputnik, Vladimir Putin apelou, na reunião com o presidente guineense, à cooperação entre a Rússia e a Guiné-Bissau no combate à pirataria e na exploração dos recursos de pesca.

Em julho, o Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou no final de uma visita a Bissau que a França vai apoiar a formação de militares da Guiné-Bissau, no âmbito de um programa de apoio ao combate ao narcotráfico e pirataria marítima.

As águas do golfo da Guiné, ricas em crude, gás natural e recursos de pesca, estão cada mais expostas à pirataria, afirmaram, num simpósio, em novembro, responsáveis ligados à segurança da região, que se estende desde o Senegal até Angola.

O golfo da Guiné registou 13 incidentes de pirataria e assaltos à mão armada entre janeiro e setembro, menos de metade do registado no período homólogo, disse em 12 de outubro a Organização Marítima Internacional.

Segundo a agência de notícias espanhola Efe, Sissoco Embaló, que é também presidente da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), defendeu no encontro com Putin o diálogo para pôr um fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

"A situação criada pela guerra entre dois povos irmãos minou as conquistas em todo o mundo, inclusive em cereais e fertilizantes", disse o líder guineense.

A Rússia tem dado prioridade às relações com África, cujos responsáveis têm estado entre os poucos líderes mundiais a visitar Moscovo nos últimos meses.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, visitou vários países africanos no verão, numa tentativa de procurar alternativas de cooperação com o Ocidente.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,5 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.114 civis mortos e 9.132 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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