Direita sobe e esquerda desce, com risco real de o PAN desaparecer e o Bloco de Esquerda perder o grupo parlamentar
Um ano e pico depois voltamos todos a votar e a grande pergunta que os portugueses fazem está relacionada com a diferença que vão ter as eleições de 2024 e as deste 18 de maio.
De acordo com a sondagem realizada pela Pitagórica para a CNN Portugal, a Aliança Democrática (AD) vai voltar a vencer estas eleições, mas desta vez por uma margem maior. Não chega, ainda assim, para uma maioria absoluta.
Percentagens à parte - pode encontrá-las aqui -, olhámos para o número provável, mínimo e máximo de cada partido, tentando perceber o comportamento do eleitorado em cada círculo eleitoral (os círculos da Europa e Fora da Europa não entram).
É nesse cenário que a AD deve subir dos atuais 80 deputados para 88, o número mais provável, de acordo com este exercício, que dá a vitória à coligação liderada por Luís Montenegro nos distritos de Lisboa e do Porto, por exemplo.
Para o PS o cenário deverá ser mesmo de quebra. O mais provável é que os 78 deputados se transformem em 71, ainda que o número máximo admita 81 mandatos para o partido de Pedro Nuno Santos, que deve ganhar apenas em Castelo Branco, Coimbra, Portalegre e Setúbal.
Com uma Tracking Poll que acabou em altas para o Chega, que em 2024 obteve um número redondo de 50 deputados, a votação do partido de André Ventura é uma das grandes incógnitas. O exercício feito pela Pitagórica dá uma descida provável para 43 deputados, ainda que admita que o partido chegue aos 53 mandatos.
Um cenário mais do que provável é o de subida da Iniciativa Liberal. Os atuais oito deputados devem chegar a um número de dois dígitos, sendo o mais provável a eleição de 13 mandatos. O partido de Rui Rocha deve beneficiar, em grande parte, das votações nos centros urbanos, nomeadamente Lisboa e Porto.
Tal como acontece com a Iniciativa Liberal, também o Livre deve esperar uma forte subida em relação aos quatro deputados com que fechou a última legislatura. O cenário mais provável para o partido de Rui Tavares são sete deputados.
E acabaram-se as boas notícias na ótica dos partidos. Bloco de Esquerda, CDU e PAN arriscam uma forte descida nestas eleições.
O resultado menos mau deve ser o da coligação liderada pelos comunistas, que deverão ter três deputados. Paulo Raimundo tinha pedido mais dois, mas se conseguir manter os quatro de 2024 já poderá ser um bom resultado.
Já o partido de Mariana Mortágua arrisca ficar reduzido àquilo que outrora chamaram ao PS. O “partido do Táxi”, já que dificilmente manterão os cinco deputados da última legislatura. O mais provável é, de resto, que tenha apenas um mandato.
E um mandato é o que o PAN tinha, com Inês Sousa Real, que pode vir a ficar fora do Parlamento. É, nesta altura, o mais provável.
Feitas as contas, e se olharmos para os máximos que AD e Iniciativa Liberal podem obter, existe uma possibilidade de maioria absoluta conjunta, ainda que os dois partidos tenham de esperar um bom resultado nos quatro mandatos eleitos pelos círculos da Europa e Fora da Europa. Em relação aos 18 distritos e duas regiões autónomas, o máximo que podem esperar é 114 deputados, a dois dos 116 necessários para uma maioria absoluta.
| Partidos | Projeção | Total |
| AD | Mínimo | 76 |
| AD | Máximo | 97 |
| AD | Provável | 88 |
| PS | Mínimo | 61 |
| PS | Máximo | 82 |
| PS | Provável | 71 |
| Chega | Mínimo | 33 |
| Chega | Máximo | 53 |
| Chega | Provável | 43 |
| Iniciativa Liberal | Mínimo | 11 |
| Iniciativa Liberal | Máximo | 17 |
| Iniciativa Liberal | Provável | 13 |
| Livre | Mínimo | 5 |
| Livre | Máximo | 11 |
| Livre | Provável | 7 |
| CDU | Mínimo | 2 |
| CDU | Máximo | 5 |
| CDU | Provável | 3 |
| Bloco de Esquerda | Mínimo | 1 |
| Bloco de Esquerda | Máximo | 4 |
| Bloco de Esquerda | Provável | 1 |
| PAN | Mínimo | 0 |
| PAN | Máximo | 2 |
| PAN | Provável | 0 |
Como foi feito este exercício
O objetivo era construir uma projeção de deputados a partir da base da Tracking Poll, que foi adicionando 200 inquiridos todos os dias a partir de 2 de maio.
A Pitagórica quis sintetizar o processo e explicitar os principais limites estatísticos, recolhendo um total de 3.780 entrevistas nos 20 círculos eleitorais.
Para a conversão de votos em mandatos aplicou-se, como se faz oficialmente, o método de Hondt, colocando números mínimos, máximos e mais prováveis para cada partido.