Ativistas vandalizam escultura de Cattelan em protesto contra combustíveis fósseis

Agência Lusa , DCT
15 jan, 14:38
Ativistas do Ultima Generazione vandalizam famosa escultura do artista Maurizio Cattelan (PIERO CRUCIATTI/AFP via Getty Images)

Este grupo ambientalista já realizou vários atos deste tipo, tendo visado a fachada do teatro La Scala, de Milão, e a sede do Senado, em Roma

Ativistas ecológicos do grupo “Última Geração”, autores de alguns protestos realizados nas últimas semanas em Itália, atiraram este domingo tinta contra a famosa escultura do artista Maurizio Cattelan que representa o dedo médio levantado.

A informação foi avançada pela polícia italiana, que interveio no local e deteve três jovens, depois encaminhados para a esquadra para identificação e eventual acusação por danos à estátua que adorna a frente do edifício da Bolsa de Valores de Affari de Milão.

O ato aconteceu nas primeiras horas da manhã de hoje, quando os ativistas atiraram latas de tinta amarela à base da escultura conhecida como “O Dedo” e desfraldaram uma faixa em que se lia a frase “Stop aos combustíveis fósseis e aos bancos italianos que financiam o atual sistema de energia”.

Este grupo ambientalista já realizou vários atos deste tipo, tendo visado a fachada do teatro La Scala, de Milão, e a sede do Senado, em Roma.

A escultura de Cattelan, autor de obras controversas como a que representa um meteorito a cair sobre o antigo papa João Paulo II, também foi vista como um ato de provocação desde que foi colocada, em 2010, frente à Bolsa de Milão.

A obra representa uma mão que tenta fazer a saudação romana, mas com os dedos cortados, deixando apenas o dedo médio levantado, num gesto contra um palácio construído durante o fascismo, mas também símbolo do poder económico.

Batizada pelo artista como “LOVE”, mas sem o significado em inglês de amor e sim como sigla das palavras liberdade, ódio, vingança e eternidade, a escultura foi muito contestada quando foi colocada em frente ao edifício, mas o arquiteto Stefano Boeri, conselheiro da Cultura de Milão em 2012, decidiu deixá-la naquele local.

O gesto hoje denunciado foi duramente criticado pelo líder do partido de extrema-direita Liga e ministro dos Transportes, Matteo Salvini.

“Esses pseudo-ambientalistas vandalizaram outra obra de arte em Milão: não são ambientalistas, são vândalos que merecem ir para a prisão”, afirmou.

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