Presidente da UEFA defende pirâmide aberta e avisa que exportar partidas fragiliza ligação aos adeptos
Aleksander Ceferin manifestou-se contra a realização de jogos dos campeonatos nacionais fora dos respetivos países, alertando para o risco de se comprometer a identidade das competições e a lealdade dos adeptos em nome de objetivos de curto prazo.
O presidente da UEFA discursou esta quinta-feira no 50.º Congresso do organismo europeu, sem mencionar casos concretos, Ceferin recordou que na última época chegaram a estar previstos um Villarreal-Barcelona, da La Liga, nos Estados Unidos, e um Milan-Como, da Serie A, na Austrália, planos entretanto cancelados pelas respetivas ligas.
«Os campeonatos nacionais retiram a sua força do seu território, das suas tradições e dos adeptos que vão ao estádio. Exportar jogos pode servir interesses de curto prazo, mas enfraquece a ligação e corrói a lealdade», afirmou o dirigente esloveno, deixando um conselho direto aos clubes para não trocar as «raízes pelo alcance».
«Como se constrói identidade se se retira o jogo da sua casa? Como se mantém a paixão local se ela for negociada?», atirou.
Um dia depois de ter sido anunciado um acordo com o Real Madrid que colocou um ponto final na «Superliga europeia», o líder da UEFA reforçou a defesa de uma pirâmide aberta no futebol europeu.
«O futebol europeu nunca será fechado. É para todos. E aquilo que pertence a todos é mais forte do que qualquer força isolada. Escolhemos a unidade em vez da fragmentação, a responsabilidade em vez da improvisação», sublinhou.
Como exemplo do modelo solidário defendido pela UEFA, Ceferin destacou a redistribuição financeira proveniente das competições europeias.
«Só esta época, mais de 400 milhões de euros serão distribuídos por clubes que estão fora da fase de liga da Liga dos Campeões. Desses, 308 milhões irão para clubes que nem sequer participam nas competições europeias. Isto existiria num sistema movido apenas pelo lucro? A resposta é clara», concluiu.