Houve menos 37% de entradas irregulares de migrantes na UE entre janeiro e junho

CNN Portugal , JAV com Lusa
10 jul, 12:25
ARQUIVO - Migrantes chegam em um bote acompanhados por uma embarcação da Frontex na vila de Skala Sikaminias, na ilha grega de Lesbos, após cruzarem o mar Egeu vindos da Turquia, em 28 de fevereiro de 2020. Um relatório muito aguardado, divulgado na quinta-feira, 13 de outubro de 2022, pelo órgão antifraude da União Europeia sobre o suposto envolvimento da agência de fronteiras da UE, Frontex, no repatriamento ilegal de migrantes da Grécia para a Turquia, concluiu que funcionários da agência estiveram envolvidos no encobrimento de tais incidentes, violando os «direitos fundamentais» das pessoas. (AP Photo/Michael Varaklas, Arquivo)
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Dados são da Frontex, a agência de patrulhamento de fronteiras da União Europeia

O número de entradas irregulares de migrantes na União Europeia (UE) diminuiu 37% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados esta sexta-feira pela Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex).

"O número de passagens irregulares nas fronteiras externas da União Europeia continuou a diminuir nos primeiros seis meses de 2026, com uma redução de 37% face ao mesmo período do ano passado", indica a agência europeia em comunicado. "Segundo dados preliminares da Frontex, foram registadas mais de 49 mil entradas irregulares."

A descida em relação ao período homólogo foi registada antes da entrada em vigor, no mês passado, do Pacto da UE sobre Migrações e Asilo, que, entre outras medidas, estabelece um processo comum de triagem nas fronteiras externas da UE.

No mesmo comunicado, a agência diz que a descida "reflete a cooperação contínua com países parceiros e as medidas preventivas adotadas nos principais países de partida, que continuam a reduzir o número de embarcações que seguem rumo à Europa".

"Há menos embarcações a partir em direção à Europa e isso é resultado da cooperação contínua com os nossos parceiros na região, mas por trás de cada número está uma pessoa e continuam a morrer pessoas no mar", alerta na mesma nota de imprensa Hans Leijtens, diretor-executivo da Frontex.

Do total de entradas irregulares registadas pela Frontex, mais de 60% ocorreram por via das rotas do Mediterrâneo Oriental e Central entre janeiro e junho deste ano. A primeira registou mais de 16.600 passagens - menos 20% face ao período homólogo - e a segunda 14.300, cerca de metade do que foi registado entre janeiro e junho de 2025.

A rota da África Ocidental registou a maior redução, com uma queda de 67%, para cerca de 3.700 deteções, resultado das medidas adotadas pela Mauritânia e, mais recentemente, pelo Senegal e pela Gâmbia, em cooperação com Espanha e UE.

Já a rota do Mediterrâneo Ocidental foi a única a registar um aumento de 17%, para cerca de 7.900 passagens registadas, refletindo um aumento das partidas da Argélia, à medida que as redes de tráfico humano alteram os seus percursos.

Dados da Organização Internacional para as Migrações apontam que quase 1.300 pessoas morreram no Mediterrâneo desde o início deste ano.

A Frontex, que conta atualmente com cerca de 3.800 agentes destacados, considera que a situação no Médio Oriente continua a representar um "fator de incerteza" para a evolução dos fluxos migratórios, apesar do cessar-fogo alcançado em junho e agora sob pressão perante novos ataques norte-americanos e iranianos.

Mesmo assim, adianta a agência, a guerra no Irão ainda não provocou alterações significativas nas fronteiras externas da UE até ao momento.

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