Dados são da Frontex, a agência de patrulhamento de fronteiras da União Europeia
O número de entradas irregulares de migrantes na União Europeia (UE) diminuiu 37% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados esta sexta-feira pela Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex).
"O número de passagens irregulares nas fronteiras externas da União Europeia continuou a diminuir nos primeiros seis meses de 2026, com uma redução de 37% face ao mesmo período do ano passado", indica a agência europeia em comunicado. "Segundo dados preliminares da Frontex, foram registadas mais de 49 mil entradas irregulares."
A descida em relação ao período homólogo foi registada antes da entrada em vigor, no mês passado, do Pacto da UE sobre Migrações e Asilo, que, entre outras medidas, estabelece um processo comum de triagem nas fronteiras externas da UE.
No mesmo comunicado, a agência diz que a descida "reflete a cooperação contínua com países parceiros e as medidas preventivas adotadas nos principais países de partida, que continuam a reduzir o número de embarcações que seguem rumo à Europa".
"Há menos embarcações a partir em direção à Europa e isso é resultado da cooperação contínua com os nossos parceiros na região, mas por trás de cada número está uma pessoa e continuam a morrer pessoas no mar", alerta na mesma nota de imprensa Hans Leijtens, diretor-executivo da Frontex.
Do total de entradas irregulares registadas pela Frontex, mais de 60% ocorreram por via das rotas do Mediterrâneo Oriental e Central entre janeiro e junho deste ano. A primeira registou mais de 16.600 passagens - menos 20% face ao período homólogo - e a segunda 14.300, cerca de metade do que foi registado entre janeiro e junho de 2025.
A rota da África Ocidental registou a maior redução, com uma queda de 67%, para cerca de 3.700 deteções, resultado das medidas adotadas pela Mauritânia e, mais recentemente, pelo Senegal e pela Gâmbia, em cooperação com Espanha e UE.
Já a rota do Mediterrâneo Ocidental foi a única a registar um aumento de 17%, para cerca de 7.900 passagens registadas, refletindo um aumento das partidas da Argélia, à medida que as redes de tráfico humano alteram os seus percursos.
Dados da Organização Internacional para as Migrações apontam que quase 1.300 pessoas morreram no Mediterrâneo desde o início deste ano.
A Frontex, que conta atualmente com cerca de 3.800 agentes destacados, considera que a situação no Médio Oriente continua a representar um "fator de incerteza" para a evolução dos fluxos migratórios, apesar do cessar-fogo alcançado em junho e agora sob pressão perante novos ataques norte-americanos e iranianos.
Mesmo assim, adianta a agência, a guerra no Irão ainda não provocou alterações significativas nas fronteiras externas da UE até ao momento.
