Propostas representam cerca de 220 milhões de euros em custos tarifários, mas carecem de aprovação dos Estados-membros - algo que a história recente mostra que não é fácil de acontecer
“O objetivo não é punir Israel. É melhorar a situação humanitária em Gaza”, começou por justificar Kaja Kallas, a Alta Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, aquando do anúncio dos planos dos 27 da imposição de sanções a Israel e de um eventual corte parcial de relações comerciais entre Bruxelas e Telavive, com vista a alterar a abordagem militar israelita na Faixa de Gaza.
Entre as medidas propostas - que carecem de aprovação dos Estados-membros, perspetivando-se a reprovação de alguns - estão tarifas sobre cerca de 5,8 mil milhões de euros em importações de produtos provenientes de Israel e a sanção a duas figuras do núcleo duro do governo de Benjamin Netanyahu: Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich.
Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional de Israel, e Bezalel Smotrich, ministro das Finanças do mesmo país, já haviam sido considerados persona non grata pelos Países Baixos, por, de acordo com Caspar Veldkamp, ministro dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, “incitarem à violência dos colonos contra a população palestiniana, promoverem constantemente a expansão das colónias ilegais e apelarem a uma limpeza étnica na Faixa de Gaza”. Gvir já havia manifestado o seu interesse em querer “toda a Gaza”, enquanto Smotrich disse em maio que o território deveria ser “totalmente destruído”.
No centro da tensão crescente entre a UE e Israel, está Ursula von der Leyen. A presidente da Comissão Europeia disse ainda este mês, a propósito da situação em Gaza, que “a fome provocada pelo homem nunca pode ser uma arma de guerra”, visando Israel e anunciando a proposta de sanções a Telavive, entretanto apresentada por Kallas.
Numa carta obtida pelo POLITICO, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Sa’ar, acusou von der Leyen de dar poder ao Hamas: “É profundamente perturbador que, ao apresentar tal proposta, esteja na prática a dar poder a uma organização terrorista responsável por continuamente perpetrar crimes hediondos”.
Quanto a medidas concretas, as tarifas incluem cerca de 37% das importações totais de produtos israelitas para a UE, representando cerca de 220 milhões de euros em custos adicionais. A União Europeia é o maior parceiro comercial de Israel, tendo adquirido cerca de 16 mil milhões de euros em produtos israelitas em 2024. Há ainda uma medida que prevê a suspensão de apoios no valor de 14 milhões de euros, destinados a financiar projetos de cooperação institucional e projetos integrados no mecanismo de cooperação regional UE-Israel.
Até agora, nem as medidas comerciais nem as sanções reuniram apoio suficiente, devido à oposição persistente da Alemanha, Áustria, Itália e Hungria. Antes da iniciativa da Comissão, as propostas apresentadas por vários membros da União Europeia, para impor medidas contra Israel, não conseguiram obter o apoio necessário no Conselho Europeu.