PCP diz que a Câmara de Setúbal utiliza "critérios de integração e amizade"

29 abr, 13:18

Uma reação que surge depois de o jornal Expresso ter denunciado que os funcionários russos daquela autarquia, que são responsáveis pela Linha de Apoio aos Refugiados, estão a fotocopiar os documentos dos refugiados ucranianos, entre os quais passaportes e certidões das crianças

Depois de a Câmara de Setúbal, que pertence ao partido comunista, ter sido acusada colocar russos pró-Kremlin a receber refugiados ucranianos, o PCP já reagiu e fala em "critérios de integração e amizade".

Num comunicado curto, com apenas dois parágrafos, o partido comunista, que tem sido constantemente acusado de apoiar o regime de Vladimir Putin, disse que no município não há espaço para exclusões ou sentimentos xenófobos. "

"O trabalho com imigrantes que há muito se desenvolve no município de Setúbal caracteriza-se por critérios de integração e amizade entre os povos onde não prevalecem nem exclusões nem sentimentos xenófobos", lê-se na nota, que acrescenta ainda que "neste momento em que se impõe um reforço do apoio aos refugiados, em particular aos ucranianos, esta concepção humanista é ainda mais importante". 

Uma reação que surge depois de o jornal Expresso e a CNN Portugal terem denunciado que os refugiados ucranianos estavam a ser recebidos por russos pró-Kremlin. O PSD já exigiu uma investigação "urgente" por parte do Governo e das respetivas entidades competentes, enquanto que a Iniciativa Liberal pediu a audição do presidente da Autarquia, André Valente Martins, na Comissão de Liberdade e Garantias.

A notícia desta sexta-feira refere que os funcionários russos da Câmara de Setúbal, que são responsáveis pela Linha de Apoio aos Refugiados (LIMAR), fotocopiaram os documentos destes refugiados ucranianos, entre os quais passaportes e certidões das crianças. 

Em declarações à CNN Portugal, Pavlo Sadokha, presidente da Associação de Ucranianos em Portugal, não se mostrou surpreendido pela notícia e disse que já tinham sido feitos vários alertas para instituições e organizações em Portugal que têm ligações diretas com a Rússia. "Há anos e anos que nós alertamos para as instituições e organizações em Portugal diretamente ligadas a agências de propaganda russa ou à embaixada russa. O caso da organização de Edintsvo, dirigida por Igor Khashin, é um bom exemplo". 

Sobre o caso concreto da Câmara de Setúbal, Pavlo voltou a dizer que já tinha conhecimento dessa informação e que o mesmo se passa noutros municípios, como o de Montijo ou Aveiro, que trabalham com associações pró-Putin. "Desde a chegada de refugiados ucranianos em Portugal, fomos alertados por vários dos nossos compatriotas nesta zona de Setúbal e Montijo que o Igor Khashin, que é bem conhecido como pró-russo e anti-ucraniano, estava a receber esses refugiados ucranianos". 

O presidente da Associação de Ucranianos em Portugal ressalva que "há algumas organizações que não estão ligadas a partidos [políticos]", mas, ainda assim, "é evidente que o Partido Comunista, desde 2014, que tem uma posição muito clara anti-ucraniana e de apoio à agressão russa".

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