Ucrânia recupera numa semana território que a Rússia demorou dois meses a conquistar

17 fev, 12:49
Militares ucranianos da 128ª Brigada de Assalto de Montanha carregam componentes de um sistema portátil de mísseis guiados antitanque (ATGM) 'Skif' num local não revelado na região de Zaporizhia, Ucrânia (EPA/ Kateryna Klocho)

Durante cerca de dois meses, as forças russas mantiveram a ofensiva nas direções de Oleksandrivka e Huliaipole, conquistando Huliaipole e avançando para oeste e noroeste. Em apenas uma semana, este território voltou para mãos ucranianas

É um novo revés para Moscovo na invasão. As forças ucranianas conseguiram empurrar as tropas russas 9,5 quilómetros em algumas zonas e libertar mais de uma dezena de localidades no espaço de apenas uma semana. A avaliação é do observador militar ucraniano Kostyantyn Mashovets, citada pelo Institute for the Study of War (ISW), que aponta para uma inversão significativa da dinâmica militar na região de Zaporizhzhia.

Segundo o ISW, os contra-ataques táticos de Kiev terão dificultado os preparativos russos para uma eventual ofensiva de verão em direção à cidade de Zaporizhzhia. Ainda assim, Mashovets sublinha que não se trata de uma contraofensiva em larga escala, mas sim de ações limitadas destinadas a estabilizar a frente.

Durante cerca de dois meses, as forças russas mantiveram a ofensiva nas direções de Oleksandrivka e Huliaipole, conquistando Huliaipole e avançando para oeste e noroeste. No entanto, a 8 de fevereiro, o ritmo desses progressos diminuiu drasticamente e praticamente cessou, segundo o observador militar ucraniano, Kostyantyn Mashovets.

Aproveitando esse abrandamento, as tropas ucranianas lançaram ataques em várias frentes. A sudeste de Oleksandrivka, expulsaram forças russas de Oleksiivka e Orestopil, avançando em direção a Berezove e Ternove. Ao longo do rio Yanchur, libertaram Vyshneve, Yehorivka, Pershortravneve, Zlahoda e Rybne, iniciando combates por Pryvilne.

*A vermelho as zonas ocupadas pela Rússia, atualizado a 7 de fevereiro de 2026. Fonte: Euromaidan

Esta conquista de Kiev acontece numa altura em que a Rússia ocupa cerca de 80% da região de Zaporizhzhia desde 2022, e em que continua a pressionar para conquistar o restante território. No campo de batalha, o objetivo do eixo sul russo passa por avançar até colocar a cidade de Zaporizhzhia ao alcance da artilharia.

Apesar dos ganhos, o analista militar entrevistado pelo Euromaidan rejeita o termo “contraofensiva”, salientando as grandes limitações do lado de Kiev. “A Ucrânia não dispõe de tropas suficientes para consolidar plenamente os avanços, a Rússia mantém pelo menos duas brigadas no grupo Vostok ainda largamente inativas e pode deslocar reforços de setores vizinhos. Além disso, Kiev não tem superioridade aérea nem vantagem em artilharia na área.”

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