Desligado último reator da central nuclear de Zaporizhzhia após bombardeamento

5 set, 15:42
Restabelecida energia na central nuclear de Zaporizhzhia

Continuam os ataques em torno da maior central nuclear da Europa, numa altura em que a missão das Nações Unidas estabelece uma "base permanente" em Zaporizhzhia

O último reator em funcionamento da central nuclear de Zaporizhzhia foi desligado da rede após um bombardeamento russo ter interrompido a rede energética ucraniana, avança a agência Reuters esta segunda-feira.

De acordo com a Energoatom - a operadora pública ucraniana para a energia nuclear - este é o sexto reator a ser bloqueado na central ucraniana após bombardeamentos terem sido registados durante esta segunda-feira.

"Hoje, como resultado de um incêndio causado por um bombardeamento, a linha de transmissão (a última em funcionamento) foi desconectada", disse a Energoatom num comunicado publicado no Telegram, que acrescenta: "Como resultado, a unidade (reator) n.º 6, que atualmente abastece as próprias necessidades (da central), foi descarregada e desconectada da rede."

Missão da AIEA com "base permanente"

A situação em Zaporizhzhia preocupa muitos líderes internacionais, tendo em conta que a zona tem sido alvo de vários bombardeamentos, aumentando as preocupações em torno de um desastre nuclear.

Na quinta-feira, depois de uma inspeção às instalações, o diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA na sigla original) disse que a "integridade física" da fábrica tinha sido "violada em várias ocasiões", sublinhando que é tal " não pode continuar a acontecer". No entanto, Rafael Grossi não nomeou os responsáveis pela situação.

Já esta segunda-feira, a Energoatom informou que quatro dos seis membros da missão da AIEA que estavam na central nuclear de Zaporizhzhia já abandonaram as instalações. Os outros dois deverão permanecer na central nuclear numa "base permanente".

O responsável no local destacado pela Rússia, Vladimir Rogov, confirmou esta segunda-feira que dois observadores permaneceriam, mas não deu um prazo para abandonarem. "Os membros da missão da AIEA já deixaram Zaporizhzhia (fábrica), enquanto no momento duas pessoas permanecem lá como observadores", afirmou.

Um historial de ataques 

A Rússia e a Ucrânia acusam-se mutuamente, há semanas, de fazerem ataques à central nuclear de Zaporizhzhia. No domingo, a Rússia acusou a Ucrânia de ter tentado atacar, no sábado, com oito drones o território da central.

Também no domingo, o jornal online independente The Insider, especializado em jornalismo de investigação, fact check e análise política, com sede na cidade de Riga, na Letónia, publicou um vídeo sobre os ataques russos que ocorreram na noite de 2 para 3 de setembro a partir de território da central nuclear.

O vídeo mostra que a Rússia tem sistemas de lançamento de mísseis localizados em vários pontos situados nas proximidades da central nuclear. Na sexta-feira, o Estado-Maior da Ucrânia afirmou que a Rússia retirou todos os equipamentos militares da central nuclear, antes da inspeção dos peritos da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

Zelensky disse à ABC News que não está a considerar um encerramento controlado da central para evitar fugas de radiação devido à dependência do país desta infraestrutura energética, especialmente durante o inverno.

“Sei que os russos gostariam que os reatores fossem desligados da rede ucraniana para ligá-los à rede russa, mas não concordamos com essas ideias”, disse o chefe de Estado.

Já em 25 de agosto, a central foi totalmente desconectada da rede ucraniana pela primeira vez, antes de a ligação ser restabelecida.

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