Mudança de ministro da Defesa na Ucrânia foi recebida com grande otimismo em Moscovo
Uma decisão que parecia apenas uma mudança na estrutura do governo pode afinal transformar-se num dos maiores erros estratégicos de Volodymyr Zelensky. É que a demissão de Mykhailo Fedorov do cargo de ministro da Defesa da Ucrânia foi recebida com entusiasmo por bloggers militares e figuras pró-Kremlin, que classificaram a decisão como um erro estratégico do presidente ucraniano.
Várias vozes russas defenderam que a saída de Fedorov representa um “presente” para Moscovo, argumentando que o antigo ministro estava a reduzir a principal vantagem russa no terreno, a superioridade em efetivos, através da aposta em sistemas não tripulados e inovação tecnológica.
“Se retirarem Fedorov do Ministério da Defesa, considero isso uma vantagem para nós”, afirmou um especialista russo, citado pelo Kyiv Post, manifestando a esperança de que o sistema de aquisições de defesa da Ucrânia volte à corrupção e à disfunção burocrática do passado.
Na quinta-feira, Zelensky nomeou o major-general Yevhenii Khmara como ministro da Defesa interino. Até agora responsável máximo pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), Khmara comandou anteriormente a unidade especial Alpha e possui experiência em operações de longo alcance e combate tecnológico.
O presidente ucraniano justificou a escolha com a eficácia demonstrada pela unidade Alpha e anunciou que o novo responsável irá coordenar operações de longo alcance em todas as forças de segurança, considerando essa área uma prioridade.
A mudança acontece depois de Fedorov ter rompido o silêncio e acusado publicamente o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrsky, de bloquear reformas e impedir a modernização do exército.
O ex-ministro revelou que chegou a pedir a Zelensky a substituição de Syrsky, mas aceitou tentar trabalhar com o comandante, afirmando que todas as iniciativas apresentadas acabavam por ser travadas. Zelensky reconheceu que ambos nunca conseguiram construir uma relação funcional, admitindo que essa falta de entendimento também representa um problema da sua própria liderança.
A saída de Fedorov provocou uma onda de protestos em várias cidades ucranianas, incluindo Kiev, Lviv, Odessa, Ternopil, Vinnytsia e Kharkiv. Segundo estimativas do Kyiv Post, entre cinco e sete mil pessoas concentraram-se junto ao Teatro Ivan Franko, na capital, entoando palavras de ordem como “Fedorov”, “Vergonha” e “Se funciona, não mexam”.
Muitos manifestantes defenderam que o antigo ministro foi determinante para o desenvolvimento da produção de drones, da inovação tecnológica e das capacidades de ataque de longo alcance da Ucrânia, considerando essas áreas essenciais para compensar a superioridade numérica das forças russas.
