A Rússia já utilizou este míssil em três ocasiões conhecidas, mas desta vez há um objetivo diferente
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou na quinta-feira que o míssil balístico de alcance intermédio Oreshnik foi lançado contra a região de Kiev, na Ucrânia, a 24 de maio, com o objetivo de observar os resultados do ataque e recolher dados para futuras utilizações deste armamento.
Durante uma conferência de imprensa, Putin revelou que o ataque teve como finalidade avaliar o desempenho do sistema em condições reais. “Vou revelar um grande segredo militar de Estado. Simplesmente atacámos onde era conveniente observar os resultados”, declarou. O chefe de Estado russo acrescentou ainda que “não houve uma única utilização em combate do míssil Oreshnik, no verdadeiro sentido da palavra, em território ucraniano”.
Segundo Putin, drones russos acompanharam a operação para analisar com precisão os efeitos do impacto. “Os nossos drones entraram, atingiram o celeiro e observaram simplesmente como os blocos em expansão eram colocados. Calcularam tudo ao milímetro”, afirmou.
O líder do Kremlin avançou ainda que essa avaliação foi considerada importante para decidir sobre uma futura utilização em larga escala do Oreshnik contra alvos previamente definidos, incluindo em áreas povoadas.
A Rússia já utilizou este míssil em três ocasiões conhecidas. A primeira ocorreu em novembro de 2024, quando o Oreshnik atingiu a cidade de Dnipro, no centro-leste da Ucrânia. O segundo lançamento aconteceu no início de janeiro deste ano, tendo como alvo a região de Lviv.
As declarações de Putin surgem num contexto de continuidade dos ataques russos contra a Ucrânia. Na noite de 2 de junho, a Rússia lançou um dos maiores ataques aéreos desde o início da guerra em grande escala, atingindo várias cidades ucranianas, incluindo zonas próximas de Kiev, com recurso a mísseis e drones.
Segundo responsáveis ucranianos, os bombardeamentos provocaram pelo menos 23 mortos, entre os quais duas crianças, e deixaram 130 feridos.
